O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na madrugada deste domingo (22), em Nova Déli, que o Brasil “agiu certo ao ter cautela” diante do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O comentário feito após a decisão da Suprema Corte norte-americana que derrubou parte das tarifas impostas pelo governo republicano.
Ao comentar a postura adotada pelo Brasil desde o anúncio inicial das sobretaxas, Lula afirmou que o governo evitou decisões precipitadas.
“Nós tomamos as decisões com muita cautela. Todos vocês sabem que eu tenho na minha cabeça a ideia de não tomar nenhuma decisão quando eu estou com 39 graus de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar decisão. Eu acho que nós tomamos as decisões corretas”, disse.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa ao fim da agenda oficial do presidente brasileiro na Índia, poucas horas depois de a Suprema Corte dos EUA decidir que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas amplas com base em uma lei de emergência econômica.
Na sequência do julgamento, o governo norte-americano anunciou novas tarifas globais, agora com base em outro instrumento legal.
Segundo ele, a evolução dos fatos confirmou essa estratégia: “Eu acho que nós tomamos as decisões corretas”.
Lula observou que parte das medidas já vinha sendo revista pelo próprio governo dos Estados Unidos antes mesmo da decisão judicial.
“Uma parte das coisas já tinham sido mudadas pelo próprio governo [norte-] americano. E agora nós tivemos a decisão da Justiça americana, que tomou outra decisão, contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump”, afirmou.
Apesar de mencionar diretamente os efeitos do julgamento, o presidente brasileiro evitou qualquer avaliação sobre o mérito da decisão da Suprema Corte dos EUA.
“Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo do meu, muito menos de outro país”, declarou.
Lula disse esperar que o governo norte-americano adote uma postura menos discriminatória nas relações comerciais e diplomáticas. “Eu quero também dizer para o presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria”, afirmou.
“Nós não queremos ter preferência por nenhum país. Nós queremos ter relações iguais com todos os países”, completou.
Segundo Lula, o objetivo do Brasil é estabelecer relações baseadas na reciprocidade e no respeito mútuo.
“Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário com os outros países”, disse, ao indicar que esse será um dos eixos da conversa prevista com Trump nas próximas semanas.
Com informações do Vermelho
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