A política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mudar e passou a impor uma tarifa global temporária de 15% sobre produtos importados, incluindo os brasileiros, com início previsto para 00h01 (horário de Washington) de terça-feira (24). A medida foi anunciada no sábado (21) e ocorre após decisão da Suprema Corte norte-americana que invalidou parte das cobranças anteriores, relata o G1.
A nova alíquota substitui a taxa de 10% e está amparada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a aplicação de tarifas por até 150 dias antes de eventual avaliação pelo Congresso dos Estados Unidos. A cobrança atinge todos os países com relações comerciais com os EUA, embora haja exceções para determinados produtos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.
Como ficam as tarifas para o Brasil
A decisão da Suprema Corte, proferida na sexta-feira (20), anulou as tarifas que haviam sido impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com isso, deixaram de valer tanto a tarifa “recíproca” de 10% quanto a sobretaxa adicional de 40% aplicada anteriormente ao Brasil.
De acordo com o especialista em comércio exterior Jackson Campos, o novo cenário resulta em uma sobretaxa global de 15% sobre produtos brasileiros. “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”, afirmou.
Campos ressalta que o aço e o alumínio brasileiros continuam sujeitos a tarifas de 50%, estabelecidas com base na Seção 232, instrumento distinto da IEEPA. Esses percentuais se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo elevado o custo desses insumos no mercado norte-americano.
Entenda a cronologia do tarifaço
As mudanças na política comercial começaram em abril de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos anunciou as chamadas tarifas recíprocas, impondo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.
Em junho daquele ano, as tarifas sobre aço e alumínio foram elevadas para 50%, com base na Seção 232. No mês seguinte, houve novo aumento de 40%, levando a alíquota total de diversos itens a 50%, embora acompanhado de uma lista extensa de exceções.
Em novembro, após o início de negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os Estados Unidos retiraram a tarifa de 40% de novos produtos, entre eles café, carnes e frutas.
Já em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte invalidou o uso da IEEPA para impor tarifas amplas, o que derrubou tanto a taxa recíproca de 10% quanto a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, posteriormente elevada para 15%. Segundo ele, o objetivo é corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que teriam prejudicado a economia americana.
Brasil e China entre os mais beneficiados
Estudo da organização independente Global Trade Alert, que monitora políticas de comércio internacional, aponta que Brasil e China estão entre os países mais beneficiados com a reconfiguração das tarifas.
De acordo com o relatório, o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, considerando também as já vigentes, com queda de 13,6 pontos percentuais. A China aparece na sequência, com recuo de 7,1 pontos, e a Índia, com diminuição de 5,6 pontos.
Por outro lado, aliados tradicionais dos Estados Unidos passarão a enfrentar encargos mais elevados com a nova alíquota global. O Reino Unido terá aumento de 2,1 pontos percentuais, a União Europeia de 0,8 ponto e o Japão de 0,4 ponto, conforme a Global Trade Alert.
Governo brasileiro avalia impacto
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, avaliou positivamente a decisão da Suprema Corte. Para ele, a mudança coloca o Brasil em condições de concorrência semelhantes às de outros países. “Mesmo com a alíquota de 15%, como é igual para todo mundo, não perdemos competitividade. Em alguns setores, ela zerou. Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves”, declarou.
Alckmin acrescentou que o cenário abre espaço para novas negociações bilaterais. “Foi positivo. Acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula agora em março aos EUA para a gente conseguir abordar ainda questões não tarifárias”, afirmou.
O ministro também informou que, antes da decisão da Suprema Corte, 22% das exportações brasileiras estavam submetidas à sobretaxa de 40%, cenário agora revertido com a nova configuração tarifária estabelecida pelo governo dos Estados Unidos.
Com informações do Brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Encurralado pela economia global, Trump vê ‘colapso da hegemonia dos EUA’ com continuidade da guerra

O impasse entre Estados Unidos e Irã, com a prorrogação do cessar-fogo nesta quarta-feira (22) após pedido do mediador Paquistão, parece longe de um desfecho, com o tensionamento da disputa de controle do Estreito de Ormuz cada vez mais acirrado. Uma negociação para o fim da guerra, diante do atual cenário, é pouco provável. Essa…
-
Lula diz que vai levar jabuticaba para “acalmar” Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende levar jabuticaba ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como forma de “acalmá-lo”, ao comentar o potencial agrícola brasileiro durante evento em Planaltina, no Distrito Federal. A declaração ocorreu em meio a uma agenda voltada à valorização da produção nacional e da agricultura familiar. Durante…
-
STM autoriza coleta de dados sobre trajetória de Bolsonaro no Exército

O ministro Carlos Vuyk de Aquino, do Superior Tribunal Militar (STM), acolheu nesta quarta-feira (22) pedido feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas enviem documentos sobre a trajetória dele no serviço militar. Os documentos deverão ser remetidos ao STM para auxiliar no julgamento que vai decidir se Bolsonaro será expulso do Exército em função…


