A entrega da carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua passagem por Mauá (SP), neste mês (9), marcou o início de uma nova contagem regressiva para os trabalhadores dos Correios. No documento, a categoria solicita que o governo oriente a direção da estatal a reavaliar a decisão de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender cláusulas do acordo coletivo.
“Pedimos a retirada do processo do STF que os Correios entraram e pedimos um aporte do governo à empresa. Queremos que o governo coloque os R$ 6 bilhões que recebeu do lucro da empresa em 2011”, afirmou Elias Diviza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos de São Paulo (SINTECT-SP) e vice-presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT).
Uma solução definitiva para os Correios, de acordo com Diviza, passa por várias frentes, como a modernização da empresa, a reestruturação de cargos e salários e, principalmente, “uma ação efetiva do governo para inibir o trabalho precarizado feito por mensageiros de aplicativo que deveriam estar trabalhando com todos os direitos da CLT”, explica, considerando a concorrência desleal à qual a estatal está submetida.
A categoria vive a angústia de uma vitória incompleta, em que os ganhos obtidos pelo dissídio derreteram e seguem sob ataque após a liminar favorável à empresa concedida em janeiro. Para o secretário de comunicação do SINTECT-SP e da FINDECT, Douglas Melo, a expectativa agora recai inteiramente sobre a vontade política do Planalto, uma vez que o presidente Lula “tem ciência da situação através desta segunda carta, que se soma ao apelo já feito em 2025”.
O impacto imediato da liminar atinge a vida dos trabalhadores, especialmente no que diz respeito ao custeio do plano de saúde, ao pagamento de horas extras de 200% nos feriados e ao vale-alimentação extra.
O sindicato enfatiza que o benefício não é um privilégio, mas um item essencial para a manutenção das famílias, visto que os funcionários dos Correios possuem um dos menores salários entre as empresas estatais brasileiras.
Sobre a recorrente fala do presidente Lula de que os Correios não devem ser a “rainha do lucro nem do prejuízo”, a visão dos sindicalistas é de que o equilíbrio sustentável depende de o governo assumir o custo do serviço postal universal.
Douglas Melo explica que, das mais de 5.500 cidades brasileiras, a grande maioria não gera arrecadação suficiente para se manter de forma independente, o que obriga a empresa a praticar o subsídio cruzado para garantir um direito que é constitucional.
Para os dirigentes, o governo deve aportar recursos para garantir que o serviço de cartas chegue às regiões distantes e sem internet, impedindo que o custo operacional dessa função social prejudique o balanço financeiro geral da empresa nas áreas onde ela compete comercialmente com o setor privado.
O diagnóstico do sindicato da crise atual também aponta para a má gestão da empresa ao longo dos anos.
Parte do problema foi o esvaziamento técnico da estatal e sua não renovação. Os quadros antigos, que detinham o conhecimento técnico sobre o serviço postal, saíram ou migraram para empresas de logística, deixando uma lacuna que compromete a operação de uma estatal que, apesar das dificuldades, registra uma receita bruta de vendas e serviços na casa dos R$ 19,5 bilhões anuais, conforme o último balanço consolidado de 2024.
Para as lideranças, sem uma gestão que valorize o conhecimento técnico e sem o aporte de recursos devidos, a empresa seguirá pressionada pela concorrência precarizada e por decisões judiciais que fragilizam quem de fato faz o serviço chegar à ponta: o trabalhador.
Com informações do Vermelho
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