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Alckmin diz que presidente sem voto “é meio intruso” e promete 4 reformas

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O pré-candidato do PSDB à presidência Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, agora diz que é “evidente” e “claro” que faltou a Michel Temer a legitimidade dos votos para governar e aprovar uma série de reformas. Durante sabatina promotida pela Folha, UOL e SBT, na manhã desta quarta (23), o tucano disparou: “Você quando não tem voto é meio intruso. Essa é a lógica da democracia: ela trás força, legitimidade, crença.” O partido do tucano foi o principal fiador da deposição de Dilma Rousseff junto ao MDB.
Questionado sobre a possibilidade de levar Temer ao seu palanque, Alckmin saiu pela tangente e disse que o MDB já tem seu presidenciável, o ex-ministro Henrique Meirelles. “Temer está lá com seu pré-candidato”, disse, com o tom de quem tenta criar um distanciamento.
O ex-governador também evitou dar uma nota de 0 a 10 a Temer, mas deu a entender que, “pelas circunstâncias” do “trauma do impeachment e a falta de votos”, o emedebista fez o que pôde.
Destoando dos candidatos à esquerda, que prometem revogar as medidas impopulares de Temer, Alckmin elogiou os projetos aprovados pelo ex-vice de Dilma, principalmente a reforma trabalhista.
“Sou favorável à reforma trabalhista, foi bem feita. Não podiamos mais ter uma lei da década de 1940. temos que estimular que contratem mais. Ela não é perfeita, mas vamos aperfeiçoar. por exemplo a questão das mulheres, das grávidas, são questões pontuais que vamos corrigir”, declarou.
AS REFORMAS PROMETIDAS
Alckmin disse que pretende fazer, “no mínimo”, quatro reformas.
Uma reforma política, introduzindo voto distrital ou distrital misto, reforçando a ideia de coligações proporcionais e clausula de barreira – pontos que já foram aprovados por esta legislatura para as próximas eleições.
Uma reforma tributária, que deve seguir modelos internacionais e reduzir cinco tributos (IPI, ISS, ICMS, PIS e COFINS) em um só (IVA). “Um bom sistema tributário pode ter um ganho de 1% do PIB em 12, 14 anos”, disse Alckmin.
Uma reforma do Estado, “porque o estado brasileiro não cabe dentro do PIB”. Disse Alckmin que pretende fazer no Brasil o que fez em São Paulo, “fechando fundações, devolvendo prédios, vencendo helicópteros”, ou seja, “uma redução de custos forte.” Na visão do tucano, o “Estado não é empresário, e não é menor por isso. Ele tem que ser regulador.” As agências públicas precisam de segurança jurídica e, por isso, passarão a ter mandatos de décadas para seus dirigentes, cortando a “aproximação com partidos políticos”.
E, por fim, uma reforma da previdência.
PREVIDÊNCIA: REGIME GERAL
Nessa proposta, Alckmin se alongou por mais tempo. Disse que pretende usar a “lógica da justiça” porque não está “correto o trabalhador do prédio, da agricultura, da indústria, não poder ganhar mais que 5 mil reais e, na média, se aposentar com 1,3 mil reais [dados de 2016]”, quando no setor público “tem benefício de até 42 mil, pago pelo trabalhador de menor renda.”
“O que eu defendo”, indicou Alckmin, “é regime único de previdência social. Um regime geral. Já fiz em São Paulo e ganhei no primeiro turno. Fiz em 2011”, se gabou.
Pela proposta do tucano, “(…) daqui pra frente, para todo mundo que entrar, nós vamos pagar até o teto do INSS, seja [para trabalhador] do Judiciário, da assembleia, da universidade, não importa. É o teto do INSS. Acima disso, será a previdência complementar, 1 pra 1, ele põe 1, eu dou 1. É a Prevcom. E não é mais benefício definido, é contribuição definida. Então o déficit é zero, porque eu não ganho 40 e aposento com 40. Não, você aposenta com 5 e vai ter complementação de aposentadoria proporcional à capitalização individual, que é corretíssimo, como é no setor privado.”
“Uma exceção, as Forças Armadas. Não é que vai ficar de fora da reforma. Eu pretendo sentar e conversar porque eles sabem disso, que não pode continuar esse modelo. No mundo todo não há um regime único que inclua as Forças Armadas, mas não vai ficar de fora.”
Além de não prometer mexer nos privilégios dos militares, Alckmin tangenciou perguntas sobre uma idade mínima para aposentadoria.
Questionado sobre uma reforma tributária, Alckmin disse que não recriaria a CPMF. “Não, é muito cômodo querer acertar as contas públicas aumentando a carga tributária. Não, temos que reduzir despesas e fazer a economia crescer com investimento. Para isso, precisa ter confiança.”
Jornal GGN 
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