Presidente brasileiro criticou sanções, ingerências externas e exaltou a resistência democrática em discurso na Assembleia Geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi aplaudido nesta terça-feira (23) ao discursar na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos. Em tom firme, Lula defendeu a democracia brasileira e a soberania nacional, enviando um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao condenar pressões externas e ataques às instituições do país. A fala foi transmitida ao vivo pela ONU e ganhou destaque internacional.
No discurso, Lula afirmou que a Organização das Nações Unidas, criada ao fim da Segunda Guerra Mundial para promover paz e prosperidade, vive um momento de fragilidade sem precedentes. Segundo ele, o multilateralismo “está diante de nova encruzilhada” e sofre ameaças constantes pela imposição da “política do poder”, marcada por sanções arbitrárias, intervenções unilaterais e violações à soberania de países.
Defesa da democracia e críticas ao autoritarismo
Lula traçou um paralelo entre o enfraquecimento da democracia e a crise do multilateralismo, ressaltando que a omissão diante de arbitrariedades fortalece regimes autoritários. “Quando a sociedade internacional vacila em defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”, afirmou.
O presidente destacou que forças antidemocráticas têm atuado para atacar instituições, sufocar liberdades, promover violência e cercear a imprensa, inclusive com o apoio de milícias digitais. Ainda assim, reforçou que o Brasil resistiu aos ataques e reafirmou sua escolha pelo caminho democrático, reconquistado há quatro décadas após o fim da ditadura militar.
Recado aos opositores internos e externos
Em uma fala direcionada aos adversários políticos no Brasil e a setores da comunidade internacional, Lula declarou: “Não há justificativa para medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Judiciário é inaceitável”. Ele denunciou o que chamou de ingerência em assuntos internos e acusou uma “extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias” de conspirar contra o país.
O presidente também relembrou a recente condenação de um ex-chefe de Estado brasileiro por atentar contra o Estado democrático de direito, ressaltando a importância do processo como exemplo mundial. “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas e àqueles que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, disse, sob aplausos dos presentes.
Democracia além do voto
Ao final do discurso, Lula defendeu que a democracia deve ir além do processo eleitoral, estando diretamente ligada à redução das desigualdades e à garantia de direitos básicos, como alimentação, moradia, saúde, educação, trabalho e segurança. Ele destacou, ainda, que a violência contra mulheres e a desigualdade salarial de gênero são exemplos de falhas que precisam ser enfrentadas para o fortalecimento do regime democrático.
A fala de Lula, em um dos palcos mais relevantes da política mundial, marcou a defesa do Brasil como nação independente e livre de qualquer tipo de tutela externa, ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso do país com a democracia e os direitos humanos.
Com informaçoes do brasil247
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