Novo ministro defende políticas populares do governo e critica influência dos bilionários e dos Estados Unidos sobre o Brasil
A nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, anunciada na segunda-feira (20), recolocou em destaque o debate sobre o futuro político do país e a sucessão do presidente Lula. Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o novo ministro evitou especulações sobre o chamado “pós-Lula”, afirmando que sua prioridade é fortalecer o governo e contribuir para a reeleição do presidente em 2026.
“Aprendi com a minha avó, nos almoços de domingo, que cada dia com a sua agonia”, disse Boulos, ao ser questionado sobre seu futuro político. “Minha preocupação agora é reforçar o governo do presidente Lula, na missão que ele me deu, e contribuir para sua reeleição em 2026. Será uma grande batalha.”
“Lula me chamou para dialogar com o povo, não com a Faria Lima”
O novo ministro destacou que sua missão no governo será estreitar o diálogo com os movimentos sociais e com as bases populares, em oposição à lógica do mercado financeiro. “O presidente me chamou para ser ministro para dialogar com o povo, e não com a Faria Lima, definitivamente”, afirmou.
Boulos ressaltou que pretende percorrer o país para “ouvir as demandas do povo brasileiro” e enfrentar “a política rasteira da extrema direita”, reforçando que o governo Lula “se colocou firmemente na defesa do povo contra os bilionários e na defesa do Brasil contra o ataque estrangeiro [dos EUA]”.
Defesa do governo Lula e avanços sociais
O ministro elogiou as políticas econômicas e sociais do governo, afirmando que o país vive um momento de retomada do crescimento e de valorização do trabalho. “Temos a menor taxa de inflação acumulada da série histórica, o menor desemprego e crescimento acima de 3%. Houve aumento real do salário mínimo e a retomada de investimentos públicos com o PAC e o Minha Casa Minha Vida”, afirmou.
Segundo ele, as medidas para zerar o imposto de renda de 90% da população e taxar os super-ricos mostram que Lula tem um governo voltado aos interesses populares. “O presidente Lula tem sido muito firme na defesa do povo brasileiro e na cobrança dos bilionários que não pagam imposto. Essa é a política que eu defendo”, completou.
Relação com o PSOL e apoio ao governo
Sobre eventuais divergências entre o PSOL e o governo, Boulos negou que haja ruptura. “O PSOL votou particularmente contra o arcabouço fiscal, não contra as políticas econômicas do presidente Lula e do ministro [da Fazenda] Fernando Haddad. O partido é base de apoio do governo e vai trabalhar pela reeleição do presidente”, afirmou.
Ele frisou que sua nova função exige compromisso institucional: “Como deputado, eu expressava as posições do PSOL. Como ministro, é meu dever expressar as posições do governo do presidente Lula.”
Soberania nacional e enfrentamento a Donald Trump
Boulos também comentou as recentes tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a suspensão de vistos de autoridades brasileiras. “O Lula foi firme. Ele virou capa do New York Times como o único presidente que enfrentou Trump, negociando com o pragmatismo necessário, mas sem ceder um milímetro no tema da soberania nacional”, destacou.
Segundo o ministro, há uma “reconfiguração geopolítica global”, marcada pela disputa entre EUA e China, e o Brasil tem buscado se afirmar como um país soberano. “O presidente reafirmou nossa independência e está disposto a negociar de igual para igual. Esse é o papel de um estadista, de um presidente verdadeiramente patriota”, declarou.
Boulos aproveitou para criticar a postura de setores da extrema direita: “É uma vergonha que o deputado Eduardo Bolsonaro ainda não tenha sido cassado e siga atuando como traidor da pátria em Miami.”
“Nada se ganha de véspera”
Apesar do otimismo com os rumos do governo, Boulos rejeita qualquer clima de “já ganhou” para 2026. “No cenário polarizado em que a gente vive, o jogo político é sempre acirrado. E jogo não se ganha de véspera”, afirmou.
O ministro usou uma metáfora futebolística para explicar sua visão: “Sou corintiano. Mesmo quando o time está em um jogo difícil pra caramba, eu assisto até os 49 minutos e meio. Quantas vezes já não teve gol no final? Ninguém no governo acha que o jogo está resolvido.”
Compromisso com o mandato e a missão
Sobre uma possível candidatura em 2026, Boulos negou qualquer plano eleitoral no curto prazo. “Lula me convocou para uma missão. Entrar em outubro e sair em abril não permitiria que o trabalho tivesse começo, meio e fim. É uma questão de coerência com a função e com a missão que o presidente me deu”, disse.
Ele ressaltou que o futuro político deve ser definido pela história, não por ambições individuais. “O Lula se tornou a maior liderança popular da história porque teve resiliência, enfrentou injustiças e nunca desistiu. O que define o futuro não são desejos pessoais, mas os acontecimentos e a luta do povo.”
Com informações do brasil247
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