Petroquímica pretende reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas enquanto mantém compromissos de reparação pelos danos provocados pela exploração de sal-gema na capital alagoana.
A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, valor equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões.
A medida ainda depende da formalização dos documentos e do protocolo na Justiça. O objetivo é criar condições para a negociação das obrigações financeiras da companhia com seus principais credores.
A decisão ocorre enquanto a empresa mantém compromissos relacionados à reparação dos danos provocados pela exploração de sal-gema em Maceió (AL). A atividade de mineração provocou instabilidade geológica e o afundamento do solo em diferentes bairros da capital alagoana.
Em novembro de 2025, a Braskem firmou um acordo com o governo de Alagoas pelo qual se comprometeu a pagar R$ 1,2 bilhão em parcelas até 2030. O valor envolve compensação, indenização e ressarcimento ao estado pelos danos relacionados à atividade de mineração.
Recuperação busca renegociar dívida bilionária
A recuperação extrajudicial anunciada pela Braskem tem como foco as obrigações financeiras da empresa. Entre os principais credores estão investidores que possuem títulos da companhia, além de instituições como Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
Diferentemente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores um plano de reestruturação, que posteriormente precisa ser submetido à homologação da Justiça.
A Braskem afirmou que o procedimento terá “escopo limitado, estritamente financeiro” e não afetará suas obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais. Segundo a empresa, esses compromissos continuam vigentes e devem ser cumpridos normalmente.
A decisão foi tomada após o encerramento de um período de proteção contra credores obtido pela companhia durante as negociações para reorganizar sua situação financeira.
Desastre em Maceió afetou milhares de famílias
A Braskem explorou sal-gema em áreas urbanas de Maceió durante décadas. O método utilizado envolvia a injeção de água em grandes profundidades para dissolver o mineral, deixando cavidades subterrâneas.
A partir de 2018, rachaduras começaram a surgir em imóveis e ruas de bairros da capital alagoana. O problema evoluiu para um processo de instabilidade e afundamento do solo. A atividade de mineração foi interrompida em 2019.
Entre as áreas afetadas estão Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Mais de 55 mil pessoas foram deslocadas das regiões consideradas de risco, enquanto imóveis, estabelecimentos comerciais e equipamentos públicos foram interditados.
Em 2023, estudos contratados pelo governo de Alagoas estimaram entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões os prejuízos relacionados ao desastre, considerando danos ao patrimônio público, impactos ambientais e perdas individuais e coletivas.
A aprovação da recuperação extrajudicial abre uma nova etapa na crise financeira da Braskem, ao mesmo tempo em que continuam os processos de reparação relacionados ao desastre socioambiental de Maceió.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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