O papel do presidente é seguir governando e abrindo mercados, enquanto a direita bate cabeça para definir quem é seu candidato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na África do Sul, durante a cúpula do G20, exatamente o que se espera de um chefe de Estado: manteve a serenidade, falou com firmeza institucional e se recusou a transformar um presidiário desequilibrado em seu antagonista político. Diante de uma imprensa nacional e internacional atenta ao episódio da prisão preventiva de Jair Bolsonaro, Lula limitou-se a lembrar o óbvio: “A Justiça decidiu e todo mundo sabe o que ele fez”.
A declaração, simples e direta, coloca o episódio no lugar correto – no campo judicial – e impede que Bolsonaro se transforme em algum tipo de mártir fabricado. Lula deixou claro que não comenta decisões do Supremo Tribunal Federal, mas frisou que o processo inteiro foi longo, transparente e baseado no devido processo legal. “Ele foi julgado, teve a presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigações, delações, julgamentos”, afirmou. Ou seja: não há perseguição.
Enquanto Lula governa, dialoga com o mundo, abre mercados e participa ativamente dos fóruns internacionais, a direita brasileira vive um momento vexatório. Seus possíveis candidatos disputam entre si quem se ajoelha mais diante de Bolsonaro, um homem condenado por participação em tentativa de golpe de Estado, que agora foi preso preventivamente após violar sua tornozeleira eletrônica numa cena digna de tragicomédia.
E o pior: ele próprio confessou seus atos. Diante da audiência de custódia, admitiu ter tentado abrir o equipamento por causa de um “surto” provocado por alucinações. Alegou acreditar que havia uma “escuta” dentro da tornozeleira. O conjunto da obra deixa evidente que, além de criminoso, Bolsonaro demonstra profundo desequilíbrio cognitivo e mental.
Ainda assim, os candidatos da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, continuam disputando migalhas de sua influência política – influência essa que se desfaz a cada episódio grotesco. Os nomes da direita não discutem programas, ideias e nem um projeto nacional. Apenas se submetem a um presidiário que a Justiça brasileira prendeu por enxergar um risco concreto de fuga.
Lula, por sua vez, escolheu o caminho mais inteligente: não transformar Bolsonaro em adversário político, até porque ele é seguirá inelegível em 2026, no ano eleitoral. O presidente se concentra em governar, ampliar parcerias internacionais, como faz agora em Moçambique, e fortalecer o papel do Brasil no mundo. No mesmo momento em que a direita brasileira se contorce e se encontra de joelhos diante de um presidiário, Lula está discutindo o futuro da economia global em encontros como o do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS).
Foi também na coletiva do G20 que Lula respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à prisão de Bolsonaro, lembrando que o Brasil é um país soberano e que sua Justiça decide de forma independente. A mensagem é cristalina: aqui, quem determina os rumos da democracia brasileira são as instituições brasileiras.
Ao recusar o jogo do confronto com Bolsonaro, Lula protege a liturgia do cargo e rejeita a armadilha de alimentar um extremista que busca justamente o conflito político para sobreviver. Bolsonaro não é mais um rival político – é uma página virada na história brasileira. Não é mais uma alternativa eleitoral – é alguém cuja vida pública se encerra nos protocolos da Justiça e que caminha para o ostracismo político.
Enquanto isso, a direita segue perdida, buscando um nome que consiga herdar os escombros do bolsonarismo. Mas nenhum candidato prosperará enquanto continuar orbitando em torno de um presidiário que confessa surtos, tenta violar a tornozeleira e inspira apenas vergonha internacional.
Fonte: brasil247
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