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Visita do chanceler alemão à China reforça papel de Pequim como parceiro confiável enquanto EUA atacam aliados

Líderes de seis países da Otan já visitaram a China em meio à guerra tarifária dos EUA e ameaças de anexação territorial

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O chanceler alemão, Friedrich Merz, chegou a Beijing nesta quarta-feira (25), para sua primeira visita oficial ao país desde que assumiu o cargo em maio de 2025. A viagem ocorre em um cenário geopolítico marcado por pressões comerciais e ameaças à soberania de aliados por parte dos EUA.

Nos últimos três meses, líderes de seis países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Irlanda, Finlândia, Reino Unido, França, Canadá e Alemanha, visitaram a China, buscando diversificação de alianças e fortalecimento de laços econômicos e estratégicos diante da postura agressiva estadunidense, que inclui guerra tarifária e ameaças de anexação de territórios, como a Groenlândia e Canadá.

Durante a visita de dois dias, Merz se reunirá com o presidente Xi Jinping no Diaoyutai State Guesthouse e com o premier Li Qiang, discutindo relações bilaterais, cooperação econômica e temas de interesse comum. A delegação inclui ministros e executivos de cerca de 30 grandes empresas alemãs, reforçando o caráter econômico da visita.

Cooperação econômica e oportunidades estratégicas

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou em uma conferência de imprensa hoje, que a cooperação entre China e Alemanha é mutuamente benéfica e traz resultados concretos para os dois povos:

“China e Alemanha são parceiros estratégicos abrangentes. A cooperação China-Alemanha é mutuamente benéfica e traz benefícios tangíveis. Devemos manter respeito mútuo, igualdade e benefício mútuo, promovendo maior desenvolvimento das relações e contribuindo para a paz global.”

Em outra declaração, o porta-voz do Ministério do Comércio destacou que a China está pronta para promover comércio e desenvolvimento econômico de alta qualidade, consolidar setores tradicionais e explorar novos campos emergentes, como energia limpa, biotecnologia, inteligência incorporada e digitalização industrial.

Nos últimos anos, o comércio bilateral anual superou US$ 200 bilhões, e o estoque de investimentos mútuos ultrapassou US$ 65 bilhões, representando cerca de um quarto do engajamento da China com a União Europeia.

Merz lidera uma delegação empresarial com executivos de setores estratégicos como automóveis, produtos químicos, biotecnologia, maquinário e economia circular. A agenda inclui reuniões com o China-Germany Economic Advisory Committee e visitas a centros de inovação e empresas-chave, como Unitree Robotics e Siemens Energy, reforçando a importância da cooperativa tecnológica e industrial.

Inovação, pragmatismo e perspectivas europeias

Especialistas alemães ressaltam à televisão estatal chines CCTV que a China deixou de ser apenas a fábrica do mundo e se tornou um motor de inovação.

“O mercado chinês exige velocidade e capacidade de inovação, o que aumenta a competitividade das empresas alemãs e fomenta a inovação colaborativa”, disse Michael Schumann, presidente da Associação Federal Alemã de Desenvolvimento Econômico e Comércio Exterior.

Setores estratégicos destacados incluem manufatura avançada, indústria verde, robótica, inteligência artificial, digitalização industrial e saúde. O progresso em robótica humanoide, exibido no Spring Festival Gala, evidencia o avanço tecnológico da China.

Analistas alertam que a Europa deve abandonar a postura de sabe-tudo e aprender com o pragmatismo chinês, para manter competitividade global. Eberhard Sandschneider, do Berlin Global Advisors, ressaltou que mudanças políticas nos EUA estão remodelando a política mundial, substituindo tratados e regras por acordos e pressões estratégicas. “A maior economia do mundo agora faz acordos e usa chantagem para obter resultados que atendem aos seus interesses. China e Europa precisam se ajustar a esse novo cenário.”

Schumann fez uma recomendação para especialistas, gestores e jovens líderes alemães: “Está mais do que na hora de permitir que nossos especialistas vejam com seus próprios olhos o que está sendo feito melhor na China”.

E Sandschneider complementou: “Confiança surge por pessoas dispostas a aprender, não apenas por instituições e regras. Precisamos de indivíduos que se aproximem da China com uma atitude de aprendizado”.

Ganhos compartilhados com a China ou ameaças dos EUA

Nos últimos três meses, líderes de seis países da Otan, Irlanda, Finlândia, Reino Unido, França, Canadá e Alemanha, visitaram a China, em um movimento estratégico para fortalecer laços bilaterais e econômicos em meio à instabilidade global.

O contexto é marcado pela guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos, que impôs tarifas protecionistas a diversos setores industriais, e pelas ameaças de anexação de territórios estratégicos, como a Groenlândia e partes do Canadá, que aumentam a insegurança sobre a estabilidade da região do Ártico e das rotas comerciais.

A visita de Friedrich Merz ocorre nesse cenário e reforça a postura de países europeus de diversificar alianças, manter o diálogo e aprofundar a cooperação econômica com a China, em contraste com a postura agressiva estadunidense. Segundo analistas, essas viagens demonstram que a China continua sendo vista como um parceiro confiável e um pilar de estabilidade econômica e política em um mundo cada vez mais volátil.

*Conteúdo originalmente publicado no Brasil de Fato

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