O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã fez uma declaração contundente nesta quarta-feira (25), rejeitando qualquer interpretação de avanço diplomático nas relações com os Estados Unidos e criticando diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em comunicado, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que Washington não deve classificar como acordo aquilo que considera um fracasso estratégico, relata a RT Brasil.
Segundo Zolfaghari, a posição iraniana indica que não haverá concessões fora dos termos definidos por Teerã, destacando que qualquer perspectiva de estabilidade na região dependerá exclusivamente das condições impostas pelo país. O militar também afirmou que os Estados Unidos não conseguirão recuperar benefícios econômicos na região nem restabelecer os antigos níveis de preços de energia, reforçando o tom crítico à política externa norte-americana.
“Não chame de ‘acordo’ o seu fracasso”, declarou o porta-voz, ao comentar as ações de Washington. Ele também ressaltou o papel das forças armadas iranianas na garantia dos interesses nacionais. “Até que chegue o momento adequado para a nossa vontade, nada voltará a ser como antes. Isso só se tornará realidade quando a ideia de agir contra a nação iraniana tiver sido completamente apagada de suas mentes imundas”, acrescentou.
Escalada do conflito no Oriente Médio
A tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel se intensificou após uma ofensiva militar conjunta lançada em 28 de fevereiro. A operação, que atingiu diversas áreas da capital iraniana, Teerã, foi atribuída à ação coordenada entre a operação americana “Fúria Épica” e a ofensiva israelense “Rugido do Leão”.
Durante os ataques, foram mortos o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de altos integrantes do governo. Em resposta, o Irã lançou sucessivas ondas de mísseis balísticos contra Israel e bases militares norte-americanas em diferentes países do Oriente Médio, no contexto da operação denominada “Promessa Verdadeira 4”.
Ampliação das frentes de guerra
O conflito se expandiu rapidamente com a ruptura do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah em 2 de março. A partir daí, forças israelenses intensificaram ataques contra o território libanês, emitindo ordens de evacuação à população civil e anunciando operações terrestres.
No cenário político interno do Irã, Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, foi anunciado como novo líder supremo em 8 de março. Em seu primeiro pronunciamento, prometeu retaliar todas as mortes provocadas pela ofensiva contra o país.
Impacto humanitário e econômico
O número de vítimas continua a crescer em toda a região. No Irã, as mortes já ultrapassam 1,5 mil pessoas. No Líbano, o total supera mil vítimas fatais. Os Estados Unidos confirmam a morte de 13 militares, enquanto Israel registra ao menos 18 civis mortos, segundo dados oficiais.
Como resposta estratégica, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, responsável por cerca de 20% do comércio global da commodity. A medida incluiu a proibição da passagem de embarcações consideradas inimigas, provocando forte impacto nos mercados e elevação dos preços do petróleo.
Com informações do Brasil247
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