China reage às ameaças de Trump e defende cooperação com o Irã sem interferências

Pequim afirma que suas relações comerciais com Teerã seguem o direito internacional e promete proteger seus interesses diante das novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos.

A China reagiu nesta terça-feira (25) às novas sanções anunciadas pelo governo de Donald Trump contra o Irã e às ameaças de punição a países que mantêm relações comerciais com Teerã. Principal compradora do petróleo iraniano, Pequim afirmou que sua cooperação com o país não deve sofrer interferências externas.

Durante uma coletiva de imprensa em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que a relação entre os dois países ocorre dentro das regras do direito internacional. Segundo ele, Pequim se opõe a medidas unilaterais consideradas ilegais e adotará providências para proteger seus direitos e interesses.

A declaração acontece depois de os Estados Unidos anunciarem um novo pacote de sanções contra 60 pessoas, organizações e embarcações acusadas de envolvimento em atividades comerciais com o Irã.

China é principal destino do petróleo iraniano

A disputa possui forte dimensão econômica. Segundo dados citados na reportagem, cerca de 80% das exportações de petróleo do Irã têm como destino a China.

Em 2025, os chineses compraram, em média, 1,38 milhão de barris de petróleo iraniano por dia. Nos dois primeiros meses de 2026, as importações chinesas de petróleo cresceram 16% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A manutenção desse comércio é estratégica para Pequim, que busca ampliar suas reservas de petróleo e reduzir os riscos provocados por eventuais interrupções no fornecimento internacional.

O conflito no Oriente Médio também aumentou a importância das reservas estratégicas chinesas. Estimativas citadas pela reportagem indicam que o país poderia ter entre 1,1 bilhão e 1,3 bilhão de barris armazenados no início da guerra.

Trump amplia pressão sobre parceiros do Irã

O governo norte-americano tem aumentado a pressão econômica sobre o Irã e tenta convencer outros países a reduzir ou interromper suas relações comerciais com Teerã.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Donald Trump vem conversando com líderes de diferentes países para pedir que cessem suas interações com o governo iraniano.

Até o momento, Washington não apontou especificamente instituições financeiras chinesas como alvos das novas medidas. Bessent também evitou detalhar quais países poderiam sofrer sanções caso continuem negociando com o Irã.

A reação chinesa sinaliza que Pequim não pretende aceitar passivamente eventuais restrições impostas pelos Estados Unidos ao comércio entre China e Irã.

A tensão ocorre em meio à disputa geopolítica entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Trump e o presidente chinês Xi Jinping têm um novo encontro previsto para o fim de setembro, em Washington.

Enquanto isso, a relação entre China, Irã e Estados Unidos permanece diretamente ligada às disputas pelo controle dos fluxos de energia, às sanções econômicas e ao equilíbrio de forças no Oriente Médio.


🔍 Fontes: Brasil de Fato

📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei

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