Levantamento da Palver aponta predominância de mensagens negativas ao candidato após circulação de informação falsa; projeto usado como base para o rumor foi apresentado por outro parlamentar e arquivado em 2008.
Ceilândia em Alerta – Uma informação falsa que associou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil provocou forte repercussão nas redes sociais. Levantamento da empresa de análise digital Palver indica que a maior parte das mensagens monitoradas sobre o episódio foi crítica ao senador.
Segundo o estudo, divulgado inicialmente pela CNN Brasil, 73% das mensagens analisadas apresentavam conteúdo desfavorável a Flávio, enquanto 27% eram favoráveis. O levantamento analisou aproximadamente 4 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram.
A análise identificou ainda que conteúdos críticos ao candidato alcançaram cerca de 85 mil usuários, enquanto as mensagens favoráveis chegaram a aproximadamente 35 mil.
Os números medem a circulação de conteúdo dentro do universo acompanhado pela Palver. Portanto, não representam pesquisa de intenção de voto nem permitem concluir, isoladamente, qual será o impacto do episódio sobre o comportamento do eleitorado.
A informação que provocou a controvérsia afirmava que Flávio pretendia apoiar uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Não há evidência de que exista atualmente um projeto de Flávio Bolsonaro com esse objetivo.
Projeto citado é de 2007 e foi arquivado
A origem da confusão está relacionada ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, na época filiado ao PMDB de Mato Grosso.
A proposta pretendia alterar a legislação que instituiu o feriado de 12 de outubro para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008, quase duas décadas antes da atual eleição presidencial. Flávio Bolsonaro não era o autor da proposta.
O assunto ganhou maior repercussão depois de uma abordagem do tema no programa Em Pauta, da GloboNews, na noite de quinta-feira (24).
Posteriormente, a emissora fez uma correção e pediu desculpas pelo erro, esclarecendo que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada no ano seguinte.
Flávio também publicou um vídeo negando que pretenda alterar o título de Nossa Senhora Aparecida. O candidato classificou a informação como falsa e afirmou que não existe projeto de sua autoria nesse sentido.
O senador atribuiu a circulação do conteúdo a adversários ligados ao PT. Essa responsabilização corresponde à declaração do próprio candidato; a circulação do boato ocorreu por diferentes perfis e canais nas redes sociais.
Estudo aponta maior alcance das críticas
Segundo a análise da Palver, a repercussão negativa ganhou maior alcance do que as mensagens de desmentido dentro dos ambientes digitais monitorados.
O episódio também passou a ser explorado politicamente por apoiadores e integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Publicações em defesa de Nossa Senhora Aparecida foram compartilhadas por políticos e simpatizantes do partido.
A primeira-dama Janja da Silva, por exemplo, publicou uma fotografia de Lula segurando uma imagem da santa e reafirmou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
A repercussão ocorre em um momento em que as campanhas disputam o eleitorado religioso às vésperas do primeiro turno.
O levantamento da Palver mostra que a narrativa falsa produziu maior circulação de mensagens críticas a Flávio Bolsonaro no universo analisado. Isso, porém, não permite afirmar que o episódio tenha produzido transferência de votos para Lula ou para qualquer outro candidato.
Também é necessário separar o desempenho de conteúdos nas redes sociais da opinião do conjunto dos eleitores. Alcance, compartilhamentos e predominância de determinadas mensagens em grupos digitais não equivalem a intenção de voto.
O fato verificável no centro da controvérsia é que Flávio Bolsonaro não apresentou o projeto atribuído a ele. A proposta usada como referência no boato é de 2007, pertence a outro parlamentar e está arquivada desde 2008.
🔍 Fontes: Brasil 247; CNN Brasil; Palver.



