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EUA e China prorrogam trégua comercial após encontro de Trump e Xi em Washington

O presidente chinês Xi Jinping, vestindo traje tradicional túnica Mao preta, e Donald Trump, vestindo smoking preto com gravata borboleta, conversam lado a lado em um evento formal.
Os presidentes da China, Xi Jinping (esq.), e Donald Trump, dos EUA (dir.) | Crédito: Brendan Smialowski / AFP

Visita de Estado do presidente chinês terminou com extensão do acordo tarifário até janeiro e diálogo sobre inteligência artificial, Irã e Taiwan, mas sem solução para as principais divergências entre as duas potências.

Ceilândia em Alerta – O presidente da China, Xi Jinping, encerrou nesta sexta-feira (25) sua visita a Washington após uma agenda marcada pela tentativa de estabilizar as relações com os Estados Unidos. O resultado mais concreto foi a prorrogação até 10 de janeiro da trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, enquanto temas como inteligência artificial, guerra no Irã e Taiwan permaneceram em negociação.

A extensão do acordo comercial havia sido acertada antes mesmo da reunião entre Xi e o presidente norte-americano Donald Trump. Na quarta-feira (23), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reuniu-se com o vice-premiê chinês He Lifeng e anunciou a prorrogação.

O entendimento anterior venceria em 10 de novembro. A trégua reduz parte das tarifas impostas pelos dois países e mantém suspensas algumas restrições chinesas relacionadas às exportações de terras raras, matérias-primas estratégicas para setores como eletrônicos, defesa, veículos elétricos e tecnologias avançadas.

A visita também teve forte componente diplomático. Trump recebeu pessoalmente Xi na Base Conjunta Andrews e o governo norte-americano organizou cerimônia militar e jantar de Estado.

Entre os convidados estavam executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo representantes da Tesla, Nvidia, OpenAI e Apple.

Apesar da recepção, a reunião não resultou no anúncio de um acordo amplo capaz de solucionar as divergências comerciais e tecnológicas entre Washington e Pequim.

Inteligência artificial e Irã entram nas conversas

A disputa pelo desenvolvimento da inteligência artificial esteve entre os temas da agenda. Estados Unidos e China competem em áreas como semicondutores, capacidade computacional e desenvolvimento de modelos avançados.

Não houve anúncio de mudanças significativas nos controles norte-americanos sobre exportações de tecnologias sensíveis para empresas chinesas.

Os governos, entretanto, concordaram em criar um canal direto para tratar de riscos e emergências relacionados à inteligência artificial, numa tentativa de estabelecer mecanismos de comunicação em uma área considerada estratégica pelas duas potências.

Outro tema discutido foi a guerra envolvendo o Irã.

Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, Xi manifestou apoio à retomada das negociações entre Washington e Teerã e defendeu a busca por um acordo capaz de reduzir as hostilidades.

Após as conversas, o chanceler iraniano Abbas Araghchi apresentou uma proposta que inclui a possibilidade de reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias e retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.

A apresentação da proposta representa um movimento diplomático, mas não significa que Estados Unidos e Irã tenham alcançado um acordo de paz. Os termos ainda dependem de negociações entre os governos envolvidos.

Taiwan continua como ponto de divergência

A situação de Taiwan permaneceu entre os assuntos mais delicados da reunião.

Pequim considera Taiwan parte de seu território e se opõe a qualquer movimento em direção à independência formal da ilha. Durante o encontro, Xi pediu que Washington avance de sua posição tradicional de “não apoiar” a independência taiwanesa para uma oposição explícita à possibilidade.

O governo chinês também pediu aos Estados Unidos “extrema cautela” na condução da questão.

Washington não anunciou mudança oficial em sua política sobre Taiwan. A questão permanece particularmente sensível por envolver também a venda de equipamentos militares norte-americanos à ilha.

Um pacote de aproximadamente US$ 14 bilhões em armamentos aprovado pelo Congresso norte-americano permanece sem execução.

A visita de Xi terminou, portanto, com avanços pontuais na relação bilateral, especialmente na manutenção da trégua comercial e na abertura de canais de diálogo. Ao mesmo tempo, as principais disputas estratégicas entre China e Estados Unidos continuam sem solução, incluindo Taiwan, comércio, tecnologia e controles sobre produtos considerados estratégicos.

A extensão da trégua até janeiro oferece um período adicional para negociações e reduz, no curto prazo, o risco de uma nova escalada tarifária. Isso, porém, não representa um acordo comercial definitivo entre os dois países.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Xinhua.

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