Proposta dos Estados Unidos prevê inicialmente uma reunião em nível técnico nos Emirados Árabes Unidos; possibilidade foi discutida em conversa entre Vladimir Putin e Donald Trump.
Ceilândia em Alerta – O Kremlin confirmou nesta sexta-feira (25) que Rússia, Estados Unidos e Ucrânia podem realizar em breve uma reunião trilateral para discutir caminhos para o conflito ucraniano. A possibilidade foi apresentada pelos Estados Unidos e discutida durante a mais recente conversa telefônica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.
O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, confirmou que Moscou avalia a realização do encontro, mas ressaltou que ainda não existe uma data definida.
A proposta norte-americana prevê, inicialmente, uma reunião entre equipes técnicas dos três países nos Emirados Árabes Unidos, e não necessariamente um encontro imediato entre Putin, Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
A confirmação representa uma mudança em relação ao tom adotado pelo Kremlin apenas dois dias antes. Na quarta-feira (23), Peskov havia afirmado que Moscou ainda não identificava as condições necessárias para negociações de paz em alto nível e defendia um trabalho diplomático preparatório antes de uma eventual reunião entre os presidentes.
Uma negociação técnica poderia justamente funcionar como essa etapa intermediária.
Contatos diplomáticos ganham força
A possibilidade de um novo encontro surge depois de uma série de contatos envolvendo autoridades russas, norte-americanas e ucranianas.
Nesta semana, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Trump e Zelensky discutiram alternativas para reduzir as hostilidades, incluindo uma possível interrupção dos ataques contra instalações de energia.
Zelensky declarou estar disposto a participar de negociações trilaterais e afirmou que a Ucrânia aceita discutir um cessar-fogo relacionado à infraestrutura energética.
Além disso, Washington propôs a retomada do corredor de exportação de grãos pelo Mar Negro como outra medida destinada a reduzir as tensões.
Na quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Nova York.
No dia seguinte, o enviado especial do Kremlin Kirill Dmitriev manteve conversas com os representantes norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner. Segundo informações divulgadas sobre o encontro, foram discutidas as relações entre Rússia e Estados Unidos e as possibilidades de avanço das negociações sobre a Ucrânia.
Os contatos dão continuidade às reuniões realizadas no início de setembro, quando Witkoff e Kushner estiveram em Moscou e Kiev. Na capital russa, eles se reuniram por cerca de três horas com Putin.
Divergências ainda dificultam eventual acordo
Apesar da retomada do diálogo, Rússia e Ucrânia continuam apresentando posições diferentes sobre questões centrais para uma eventual negociação de paz.
Moscou afirma que qualquer solução duradoura deve abordar o que o governo russo denomina “causas profundas” do conflito, incluindo questões relacionadas à segurança e à expansão das estruturas militares ocidentais.
A Ucrânia defende a interrupção dos ataques e garantias de segurança antes de uma negociação mais ampla sobre os termos para o encerramento da guerra.
O fornecimento de armamentos europeus a Kiev também continua sendo alvo de críticas do Kremlin. Peskov afirmou nesta semana que a continuidade da ajuda militar europeia dificulta a criação das condições necessárias para uma trégua.
Enquanto as negociações diplomáticas avançam, os combates e ataques entre Rússia e Ucrânia continuam, sem que tenha sido anunciado um cessar-fogo.
O Kremlin já havia afirmado anteriormente que considera prematuro organizar um encontro direto entre Putin e Zelensky sem preparação diplomática prévia. Nesse contexto, uma eventual reunião técnica envolvendo representantes dos três países poderá servir para identificar pontos de convergência antes de conversas em nível presidencial.
Por enquanto, não existe acordo para encerrar a guerra nem confirmação de data e local para a reunião trilateral. A declaração do Kremlin confirma apenas que a proposta está sendo discutida e que Moscou admite participar desse formato de negociação.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



