Rachel Barros participou de aula magna em Porto Alegre e destacou a necessidade de ampliar a equidade racial no atendimento; curso do Grupo Hospitalar Conceição capacita profissionais e agentes sociais até dezembro.
Ceilândia em Alerta – A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) associado ao enfrentamento do racismo durante aula magna realizada nesta quinta-feira (24), no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.
A atividade integrou o Curso de Agentes de Promoção da Saúde da População Negra, iniciativa destinada a trabalhadores do SUS e agentes sociais. Com o lema “Valorizar pessoas. Criar um ambiente antirracista”, o encontro reuniu profissionais de saúde, especialistas, integrantes da comunidade e representantes de movimentos sociais.
Durante a aula, Barros afirmou que desigualdades raciais podem interferir tanto no acesso aos serviços quanto na qualidade do atendimento recebido pela população negra. Para a ministra, enfrentar essas diferenças deve fazer parte do princípio de universalidade do SUS.
Ela também defendeu que os profissionais utilizem a formação continuada para melhorar o acolhimento e transformar conhecimentos sobre desigualdade racial em práticas institucionais.
Curso aborda racismo institucional e saúde da população negra
A formação promovida pelo GHC busca capacitar médicos, enfermeiros, agentes comunitários, lideranças de movimentos sociais, conselheiros de saúde e outros trabalhadores para identificar situações de desigualdade e desenvolver práticas voltadas à equidade racial.
O curso oferece 40 vagas e terá atividades até dezembro. Entre os temas previstos estão racismo institucional, religioso e ambiental, epidemiologia do racismo, práticas antirracistas dentro do SUS e participação social.
A diretora de Inovação, Gestão do Trabalho e Educação do GHC, Quelen Tanize Alves da Silva, destacou durante o evento a importância do financiamento e do fortalecimento do sistema público de saúde, além da necessidade de considerar as diferenças existentes entre os grupos atendidos.
A presidente da Comissão Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) do GHC, Fernanda Vargas, afirmou que as ações desenvolvidas pela instituição procuram ampliar o acesso e melhorar o atendimento oferecido à população.
Também participaram da atividade Valquíria Inês Pacheco Martins, gerente da Unidade de Pronto Atendimento Moacyr Scliar; João Constantino Pavani Motta, diretor Administrativo e Financeiro do GHC; além de profissionais ligados à saúde e à segurança pública.
Racismo e saúde mental entram no debate
A relação entre discriminação racial e saúde mental também esteve entre os temas discutidos durante o encontro.
Lisane Vieira dos Santos, chefe de Gabinete da Diretoria do GHC, apresentou resultados de sua dissertação de mestrado sobre as repercussões psicossociais da atuação de mulheres negras ativistas.
Segundo Lisane, experiências repetidas de racismo podem produzir impactos que ultrapassam a dimensão individual e precisam ser compreendidos dentro do contexto social no qual ocorrem.
A enfermeira Elaine Oliveira Soares, servidora da Prefeitura de Porto Alegre, apresentou experiências relacionadas à atuação de promotores e promotoras da saúde da população negra na capital gaúcha.
Representantes da Polícia Civil também participaram das discussões. A inspetora Cândida Fernanda da Silva Rosa Bergqvist e o delegado Vinícius Nahan dos Santos abordaram questões relacionadas ao racismo e à atividade policial no Rio Grande do Sul.
A formação realizada pelo GHC parte do entendimento de que fatores sociais, econômicos e raciais podem produzir diferenças no acesso à prevenção, ao diagnóstico e aos tratamentos. A proposta é preparar profissionais para reconhecer essas desigualdades e aprimorar o atendimento prestado pelo SUS.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



