Decisão por 5 votos a 2 mantém ex-governador fora da disputa; Leandro Grass, Paula Belmonte e Ricardo Cappelli se manifestaram sobre o novo cenário eleitoral no Distrito Federal.
Ceilândia em Alerta – A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter o indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal provocou reações entre candidatos que permanecem na disputa pelo Palácio do Buriti. Nesta quinta-feira (24), a Corte rejeitou o recurso do ex-governador por 5 votos a 2.
Com o julgamento, Arruda deve interromper a campanha, incluindo inserções no rádio e na televisão e participação em debates, além de deixar de receber recursos dos fundos eleitoral e partidário. O TSE determinou a comunicação imediata da decisão ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
O tribunal manteve o entendimento de que Arruda permanece inelegível em razão de condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa relacionados à Operação Caixa de Pandora.
A defesa sustentava que as mudanças realizadas na Lei da Ficha Limpa em 2025 deveriam permitir a candidatura, argumentando que as condenações decorreram de processos conexos e deveriam ser consideradas conjuntamente para o cálculo da inelegibilidade.
O relator, ministro Dias Toffoli, entendeu que, mesmo considerando a interpretação mais favorável ao ex-governador, uma condenação mais recente permanece suficiente para impedir seu registro.
Acompanharam Toffoli os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Sebastião Reis Júnior, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha divergiram.
Grass e Belmonte buscam diálogo com antigos eleitores de Arruda
Após a decisão, Leandro Grass (PT) afirmou respeitar o julgamento da Justiça Eleitoral e evitou fazer uma avaliação sobre o mérito da decisão. Também destacou que manteve uma relação respeitosa com Arruda durante a campanha e os debates.
Grass passou então a dirigir sua mensagem aos eleitores que defendem mudança no comando do Distrito Federal, apresentando sua candidatura como uma alternativa à atual administração.
O petista também mencionou as investigações envolvendo o Banco Master e defendeu que eventuais relações entre agentes políticos, o empresário Daniel Vorcaro e outros personagens do caso sejam esclarecidas. As referências feitas pelo candidato representam posicionamentos de campanha e não conclusões judiciais sobre responsabilidade dos citados.
Paula Belmonte (PSDB) também afirmou respeitar a decisão do TSE e reconheceu o impacto político e pessoal da retirada da candidatura sobre Arruda e seus apoiadores.
A candidata anunciou que pretende procurar diretamente o ex-governador para apresentar suas propostas e buscar seu apoio na reta final da campanha. Paula afirmou ainda que deseja dialogar com lideranças e eleitores ligados a Arruda.
Arruda, entretanto, afirmou após o julgamento que não pretende recomendar voto em nenhum dos candidatos que permanecem na disputa.
Cappelli diz que decisão abre uma “nova eleição”
Ricardo Cappelli (PSB) avaliou que a saída de Arruda modifica significativamente o cenário da disputa pelo Governo do Distrito Federal.
Em publicação nas redes sociais, Cappelli afirmou que ele e Arruda teriam sido tratados como “intrusos” na campanha. Também alegou que houve tentativas de retirá-lo da disputa e declarou que, com a decisão do TSE, começa uma “nova eleição”.
A afirmação corresponde à interpretação política apresentada pelo candidato e não a uma constatação da Justiça Eleitoral sobre eventual tentativa de interferência em sua candidatura.
Arruda disputava a eleição com o registro sub judice desde que o TRE-DF havia negado sua candidatura. Isso permitia que ele continuasse realizando atos de campanha enquanto aguardava a análise do recurso pelo TSE.
Com o julgamento desta quinta-feira, essa condição foi encerrada. O tribunal determinou que o TRE-DF adote as providências necessárias para retirar Arruda da disputa e interromper sua participação na campanha.
A decisão ocorre a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e retira da disputa um candidato que aparecia com percentuais relevantes nas pesquisas eleitorais. Como os levantamentos realizados anteriormente incluíam Arruda, novas pesquisas poderão medir como os entrevistados distribuem suas preferências diante do cenário sem o ex-governador.
A manifestação de apoio ou a migração de votos, entretanto, depende das escolhas individuais dos eleitores e não pode ser determinada apenas pelos resultados das pesquisas realizadas antes da decisão do TSE.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Tribunal Superior Eleitoral (TSE).



