Caso Banco Master: PHC e Daniel Vorcaro mais distantes de delação

PGR recusa proposta de colaboração do ex-presidente do BRB. Ex-banqueiro é transferido para a Papudinha após fracasso na tentativa de acordo para falar o que sabe

Os novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master, afastam o curso das investigações de acordos de delação premiada. Na noite dessa quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a proposta de colaboração apresentada pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Ao mesmo tempo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de prisão domiciliar para Daniel Vorcaro, dono do banco, e determinou que ele saia da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal e seja alocado no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.

Ambas as decisões afastam a possibilidade, pelo menos neste momento, da assinatura de acordos de colaboração premiada com os executivos. Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril, quando foi detido durante a quarta fase da Operação. As investigações apuram suspeitas de que ele teria descumprido práticas de governança ao permitir operações financeiras sem lastro envolvendo o Banco Master.

Segundo os investigadores, Paulo Henrique Costa também é suspeito de ter negociado com Vorcaro o recebimento de pelo menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões. Em contrapartida, ele teria facilitado o esquema investigado pela Polícia Federal. Dois dos imóveis estão localizados em Brasília. Costa torna-se o segundo investigado no caso a ter uma proposta de colaboração premiada rejeitada pela PGR.

O órgão também negou o acordo solicitado pela defesa de Vorcaro, em 15 de junho, acompanhando decisão da Polícia Federal.

O magistrado do STF ainda negou o pedido da defesa para converter a prisão preventiva em prisão domiciliar, sob a justificativa de que a manutenção da detenção é necessária para garantir a continuidade das investigações e evitar estratégias de ocultação e blindagem patrimonial.

Ao contrário da situação de Paulo Henrique Costa, no caso de Vorcaro, a mudança do local da prisão não significa que as discussões sobre colaboração estão encerradas neste momento com a PGR, mas que ocorreu um recuo por parte da Polícia Federal em negociar. No entanto, a ida para a Papudinha indica que as tratativas com o Ministério Público ainda estão em andamento, de acordo com fontes ligadas ao caso ouvidas pela reportagem.

Ao justificar o pedido de domiciliar, Vorcaro alegou que estava reformulando sua proposta de colaboração premiada e que a custódia em casa (em São Paulo ou Brasília) seria necessária para garantir sua segurança e a de sua família.

As autoridades rebateram os argumentos apresentados. A Polícia Federal informou que as negociações para o acordo de colaboração premiada foram oficialmente encerradas em 10 de junho.

No âmbito investigativo, a corporação aponta que o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, continua gerindo os interesses patrimoniais do grupo econômico sob apuração, com elementos recentes indicando movimentações financeiras compatíveis com estratégias de blindagem ou deslocamento de patrimônio.

Alinhada a esse entendimento, a PGR ressaltou que a prisão já havia sido referendada pela Segunda Turma do STF e que, até o momento, não surgiram fatos novos que justificassem a soltura.

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