Data reforça importância do diagnóstico e do acompanhamento médico para evitar consequências que podem levar à amputação
O diabetes afeta, atualmente, cerca de 16 milhões de adultos no Brasil e está entre os principais desafios de saúde pública do país. É isso que o Dia Nacional do Diabetes, lembrado hoje em todo o país, chama a atenção. Instituído pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o objetivo da data é ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico e tratamento adequado.
Caracterizada pela produção insuficiente ou pela má utilização da insulina pelo organismo, a diabetes pode permanecer sem controle durante anos e provocar complicações que atingem diversos órgãos. Entre as pessoas que convivem com a condição está o investigador da Polícia Civil Leônidas Antônio de Souza, de 60 anos. Há 23 anos, ele descobriu que tinha o tipo 2 da doença, após perceber mudanças no próprio corpo.
“Comecei a emagrecer muito rapidamente. Sentia muita sede, levantava várias vezes à noite para urinar e tinha uma fome constante”, relata. Preocupado com os sintomas, procurou atendimento médico e realizou exames. “Quando saiu o resultado, minha glicemia estava em 600. Foi aí que recebi o diagnóstico de diabetes tipo 2”, lembra.Play Video
Atualmente, Leônidas utiliza dois tipos de insulina, monitora a glicose de duas a três vezes por dia e realiza consultas periódicas com endocrinologista. A alimentação também foi adaptada. O consumo de açúcar foi eliminado, enquanto alimentos ricos em carboidratos passaram a ser controlados.
“Hoje, preciso comer mais proteínas, fibras, beber bastante líquido e seguir todas as orientações médicas”, afirma. Além da diabetes, ele faz tratamento para neuropatia diabética, condição que afeta os nervos e reduz a sensibilidade dos membros inferiores.
Ferimento
Essa perda de sensibilidade nos pés desencadeou uma das complicações mais severas enfrentadas por Leônidas. Em um trabalho na zona rural, furou o pé em um prego, mas não percebeu a gravidade do ferimento. A lesão evoluiu e resultou em sucessivas intervenções cirúrgicas.
“Perdi quase todos os dedos dos pés. No pé esquerdo ficou apenas o dedão e, no direito, também tenho sequelas. Já passei por sete cirurgias por causa das complicações da diabetes”, conta.
Além dos problemas neurológicos e vasculares, especialistas alertam para a doença renal crônica. Ocorre quando o excesso de glicose provoca lesões nos pequenos vasos sanguíneos dos rins, comprometendo a capacidade de filtrar o sangue.
Segundo o nefrologista Alexandre Habitante, o controle inadequado da glicemia pode comprometer a função renal. “O excesso de glicose no sangue pode causar lesões progressivas nos pequenos vasos dos rins, prejudicando a capacidade de filtragem. O grande problema é que esse processo acontece de forma lenta e, na maioria das vezes, sem sintomas nas fases iniciais”, explica.
O especialista destaca que quando os primeiros sinais aparecem, a doença renal muitas vezes está em estágio avançado. Inchaço, cansaço excessivo, alterações urinárias e aumento da pressão arterial podem indicar comprometimento importante dos rins. A perda da função renal aumenta o risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC). Em situações graves, o paciente pode precisar de hemodiálise ou transplante renal.
*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi



