Uma vistoria técnica realizada pelo deputado distrital Max Maciel (Psol), presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), revelou um cenário crítico no Metrô-DF. A fiscalização no pátio de manutenção da companhia, em Águas Claras, região administrativa do DF, constatou que o sistema opera com uma frota reduzida, problemas de manutenção e dificuldades para atender à demanda de cerca de 140 mil usuários por dia.
De acordo com o relatório da visita, divulgado nesta quinta-feira (25), embora a companhia possua 32 trens em seu patrimônio, apenas 19 estavam em circulação na data da vistoria. O documento aponta que a programação operacional foi planejada para funcionar com 22 composições simultaneamente nos horários de pico, número que não vinha sendo alcançado.
A crise é agravada pela falta de componentes básicos de reposição. Dos 13 trens que estavam fora de operação no momento da inspeção, quatro foram classificados pela própria companhia como sem perspectiva de retorno à circulação, devido à inviabilidade técnica e econômica dos reparos necessários.
O relatório registra ainda a prática conhecida como “canibalismo” de peças, em que componentes são retirados de trens parados para manter em funcionamento os veículos que ainda circulam. A situação afeta principalmente os trens Série 1000, que completaram três décadas e enfrentam problemas relacionados à obsolescência tecnológica e à dependência de peças da fabricante Alstom.
Durante a vistoria, técnicos da comissão também identificaram as causas dos incêndios registrados em composições da Série 1000. Segundo as análises apresentadas pelo Metrô-DF, o problema teve origem em capacitores a óleo instalados nos armários elétricos dos veículos. Com o envelhecimento dos componentes, ocorreram vazamentos que, ao entrar em contato com equipamentos em altas temperaturas, provocaram os focos de incêndio.

Impacto
A precarização do sistema se reflete diretamente nos indicadores operacionais. Em 2025, a regularidade das viagens foi de apenas 89,01%, abaixo da meta de 97% estabelecida pela companhia. Segundo o relatório, a insuficiência de trens disponíveis faz com que viagens programadas precisem ser canceladas, afetando a prestação do serviço.
O déficit de servidores também preocupa. Durante a visita, a direção do Metrô-DF admitiu que a falta de empregados nas estações tem levado à abertura de catracas para permitir o acesso dos passageiros sem cobrança de tarifa. Segundo informações apresentadas à comissão, a perda de arrecadação relacionada a essa situação foi estimada em aproximadamente R$ 3 milhões.
Como a queda na qualidade do serviço, o sistema vem perdendo passageiros. O relatório de administração de 2025 registrou redução de 2,18% na demanda em comparação ao ano anterior, o que representa 924.396 acessos a menos. Dados do portal Mobilidade Transparente também apontam queda de 0,3% nos quatro primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Outro fator apontado pela comissão é a falta de investimentos. Segundo o relatório, o Metrô-DF deixou de receber cerca de R$ 1 bilhão em recursos nos últimos sete anos. Além da necessidade de aquisição de novos trens, a infraestrutura energética do sistema opera próxima do limite, enquanto a expansão das linhas para Ceilândia e Samambaia exige investimentos adicionais para garantir a capacidade operacional da rede.
O outro lado
O Brasil de Fato DF procurou o Metrô-DF para comentar as conclusões do relatório da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da CLDF, mas até a publicação desta matéria não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
*Com informações do Brasil de Fato



