As equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre os escombros deixados pelos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24). O novo balanço divulgado pelo governo na manhã desta sexta (26) elevou para 589 o número oficial de mortos. Em meio à mobilização das equipes de resgate, a ajuda humanitária internacional começou a chegar ao país, com socorristas e equipamentos enviados por diferentes nações para reforçar as operações de busca e salvamento.
Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, devastaram principalmente a região de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas, onde dezenas de edifícios desabaram. Segundo o governo venezuelano, 2.980 pessoas ficaram feridas, enquanto centenas seguem desaparecidas e mais de 200 ainda estariam presas sob os escombros.

Em Caracas e nas áreas mais atingidas, equipes de resgate trabalham com máquinas pesadas e de forma manual para localizar vítimas. Em alguns pontos, os socorristas interrompem os trabalhos e pedem silêncio na tentativa de ouvir possíveis sobreviventes sob os destroços.
Ajuda internacional
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que equipes de busca e resgate de pelo menos 17 países estão sendo mobilizadas para atuar nas regiões afetadas. Socorristas de El Salvador e do México já desembarcaram em Caracas. Segundo a imprensa venezuelana, também chegaram ao país equipes e insumos enviados por Chile e Suíça.
O Brasil confirmou o envio de uma missão humanitária. Nesta sexta, um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira partiu de Guarulhos transportando bombeiros, técnicos da Defesa Civil Nacional, profissionais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e nove toneladas de equipamentos para busca e resgate. Um segundo voo, previsto para sábado (27), levará um hospital de campanha, purificadores de água, medicamentos e materiais médicos.

Os Estados Unidos anunciaram um pacote de US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 780 milhões) para ações de assistência humanitária, além do envio de navios, aeronaves e helicópteros.
Diversos países da América Latina também ofereceram ajuda, assim como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, que prometeram enviar equipes especializadas.
Busca por desaparecidos
Em La Guaira, familiares seguem no aguardo de notícias de parentes desaparecidos. “Ele está aqui”, disse à agência AFP Alessandro del Giudice, de 23 anos, enquanto apontava para uma montanha de escombros onde acredita que o pai esteja soterrado. Ao lado dele, a avó, Amparo, tentava remover pedras com as próprias mãos.
“São muitas pedras e, com as mãos, não é possível”, lamentou.
Também em La Guaira, Jean Alexander Capote contou ter perdido familiares após o desabamento da casa onde viviam. “Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não a encontro”, afirmou.
O governo brasileiro confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros na tragédia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a assistência consular está sendo prestada às famílias das vítimas.
Os terremotos ocorreram com intervalo inferior a um minuto e foram os mais intensos registrados na Venezuela desde 1900. Desde então, mais de 130 réplicas já foram registradas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As autoridades venezuelanas alertam que o número de mortos pode continuar aumentando à medida que avançam as operações de resgate.
*Com informações do Brasil de Fato



