Na China, governo brasileiro sinaliza possibilidade futura de usar títulos panda para financiar bioinsumos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que os títulos panda emitidos pelo Brasil no mercado chinês podem, no futuro, financiar investimentos sustentáveis, incluindo a produção de biofertilizantes. A declaração foi feita em entrevista coletiva em Pequim nesta sexta-feira (26).

Durigan afirmou que conversou com o presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, sobre a possível criação de títulos panda bambu, uma versão verde dos títulos panda com juros ainda mais baixos. Diferentemente da emissão convencional, cujos recursos vão para o caixa do Tesouro, a versão verde exige que o dinheiro seja direcionado a setores específicos.

“Até brinquei com o presidente do Banco Central chinês que, além dos panda bonds, a gente pode ter os bamboo panda bonds, que seriam os títulos panda sustentáveis”, conta Durigan.

Durigan afirmou que o primeiro passo será a emissão convencional, para pagar a dívida pública, mas que isso não impede o Brasil de avançar para uma emissão sustentável na China no futuro.

EcoInvest

Ao falar sobre o que poderia lastrear uma futura emissão verde, o ministro citou o EcoInvest, programa criado pelo governo Lula como parte do plano Novo Brasil (Plano de Transformação Ecológica), para atrair investimento estrangeiro em projetos sustentáveis de longo prazo. O programa define cinco eixos prioritários. “Nós estamos falando de biofertilizante, biocombustível, bateria, mineral crítico e inteligência artificial. São cinco projetos e programas que a gente estabeleceu com prioridade para a economia brasileira”, afirmou Durigan.

O principal diferencial do EcoInvest seria a proteção cambial. Durigan explicou que a volatilidade do real é a maior barreira apontada por investidores estrangeiros. “Você chega com o investidor estrangeiro e diz o seguinte: ‘Faça um investimento no Brasil, o Brasil tem potencial para biocombustível, para biofertilizante’, e os investidores dizem: ‘É verdade’. Qual que é o problema do Brasil? É a volatilidade cambial. Se eu boto o meu dinheiro num projeto de 15 anos para construir uma biorefinaria, para construir uma planta de SAF, combustível de aviação sustentável, em 15 anos eu não sei o que vai acontecer”, disse o ministro da Fazenda.

Para resolver isso, o governo cria, em parceria com bancos privados, uma faixa de proteção cambial para projetos aprovados como estratégicos. “Se você faz um investimento no Brasil, num contrato em que você estabelece 5 dólares na relação com o real, como câmbio de referência, se você tiver uma variação até 5,30 ou até 4,70, é uma variação do jogo, do negócio, é um risco do empresário. Diferente é se essa variação ultrapassar esses patamares, o que aí acende o risco de os empresários dizerem: ‘Não, aí eu não topo colocar o dinheiro no Brasil’. Então a gente está dizendo: ‘Não, coloque o dinheiro aqui que você tem um patamar de resultado’”, explicou Durigan.

“Esses cinco projetos, sobre os quais a gente tem falado muito aqui na China, podem estar lastreando uma futura emissão sustentável”, disse o ministro.

*Com informações do Brasil de Fato

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