Brasil prevê emitir primeiros ‘títulos panda’ na China em até três meses, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil deve começar a emitir os primeiros títulos panda nos próximos dois a três meses. A declaração foi feita em entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Pequim nesta sexta-feira (26), um dia após a entrega formal da carta de intenções ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng.

Títulos panda são dívida em yuan, a moeda chinesa, emitida no mercado chinês por governos, empresas ou instituições de fora da China. O que significa que o governo brasileiro, neste caso, captará dinheiro emprestado diretamente dos investidores chineses. O Brasil é o primeiro país da América Latina a formalizar esse tipo de emissão.

“Eu espero que, nos próximos dois, três meses, a gente já faça a primeira emissão”, disse Durigan na coletiva. O governo planeja captar até 5 bilhões de yuans (cerca de R$ 4 bi).

Juros mais baixos

A principal vantagem da emissão no mercado chinês é o custo. Os juros dos títulos panda ficam entre 1,70% e 2,05% ao ano, menos da metade do que o Tesouro brasileiro pagou em emissões recentes em dólar, que chegaram a 5,2% em cinco anos e 7,5% em trinta anos.

O Paquistão emitiu seu primeiro título panda soberano em maio e pagou 2,5% ao ano, bem abaixo dos juros que paga em emissões em dólar, segundo a CGTN.

“O que eu percebo é que, quando a gente faz emissão no exterior, a gente acaba pagando menos juros do que quando a gente faz emissão doméstica. Então, se eu posso onerar menos o Tesouro Nacional fazendo emissão no exterior, por que não fazer?”, questionou Durigan.

Diversificação e caminho para empresas

“O nosso objetivo é diversificar a matriz de quem detém a dívida brasileira. Em especial, olhar para o preço”, afirmou o ministro. Durigan explicou que, ao ter referências em diferentes mercados, o governo consegue “testar preço e ver como está a credibilidade do país no resto do mundo”.

A emissão soberana também abre caminho para empresas brasileiras. Ao fixar o preço do Brasil no mercado chinês, companhias como Suzano, Vale e WEG podem emitir seus próprios títulos panda com mais facilidade.

A Suzano, do setor de celulose, foi a primeira empresa brasileira a emitir títulos panda, captando 1,2 bilhão de yuans (cerca de R$ 960 milhões) em outubro de 2025, com juros entre 2,55% e 2,90% ao ano.

No mercado de dívida, os juros que um governo paga funcionam como piso para todas as empresas do país: se o governo consegue pagar 2%, uma empresa paga esses 2% mais um adicional pelo risco dela. Ao emitir títulos panda, o governo brasileiro está criando esse piso na China, e outras empresas passam a se endividar lá a partir de uma base mais barata.

Próximos passos

Antes da emissão, o Tesouro Nacional concluirá rodadas de apresentação aos bancos chineses interessados em comprar os títulos. “Eu comecei a fazer isso agora, então estive com os principais bancos chineses, que são os principais bancos do mundo também”, disse Durigan.

O ministro afirmou que o governo já protocolou o pedido junto ao Banco Popular da China e que as autoridades chinesas “anteciparam que está tudo em ordem”.

*Com informações do Brasil de Fato

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias