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Lula sanciona isenção do IR e faz discurso histórico contra a desigualdade

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Presidente critica insensibilidade da elite brasileira e diz que ‘o mundo não pode continuar desigual como está hoje’

A cerimônia de sanção da lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais marcou, nesta quarta-feira (26), um dos discursos mais enfáticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre combate às desigualdades. O evento, que oficializou uma das mudanças tributárias mais aguardadas de 2025, abriu espaço para uma fala contundente do presidente sobre justiça social, democracia e a necessidade de enfrentar privilégios históricos.

As declarações de Lula foram feitas no Palácio do Planalto durante o ato oficial de sanção da nova regra, que também prevê redução do imposto para rendas de até R$ 7.350 a partir da próxima declaração. Ele iniciou o discurso agradecendo o papel do Congresso na aprovação da medida: “Cumprimentar deputados, deputadas, senadores e senadoras, que tiveram a sensibilidade de fazer com que o país pudesse continuar acreditando na política, na democracia”, afirmou, ressaltando a importância do respeito à diversidade e da construção de consensos.

Em tom crítico, Lula recuperou práticas antigas da política brasileira para ilustrar avanços institucionais. “Houve um tempo em que época de campanha se levava cestas com dentaduras prontas para que pessoas experimentassem qual servia para ela. Isso era a política no Brasil”, disse, ressaltando que a alternância de poder promovida pela democracia precisa significar mais do que mudança de nomes, mas também de classes sociais. Segundo ele, “a gente pode construir uma sociedade justa”.

Ao tratar diretamente das desigualdades raciais e sociais, o presidente destacou que equidade não implica retirar direitos de uns para beneficiar outros. “Eu não quero ser igual. Eu quero ter a mesma oportunidade que todo mundo. (…) O que eu quero é dar ao negro a oportunidade de ter o que ele nunca teve. E não é apenas o povo negro. É o povo pobre”, afirmou.

Lula ampliou a crítica ao cenário global: “Não pode continuar um mundo desigual como o que temos hoje, que produz alimento para 2,5 vezes a quantidade de seres humanos e ainda temos 700 milhões de pessoas passando fome”. Para ele, combater a desigualdade exige recuperar a capacidade de indignação diante da miséria. “Não posso dormir com a consciência tranquila sabendo que eu posso comer do bom e do melhor todo dia sabendo que do meu lado tem uma pessoa que não pode comer nada”, disse, frisando que a invisibilidade social é resultado de escolhas das elites: “Eles estão invisíveis porque a elite brasileira quis que eles fossem invisíveis ao longo de 520 anos”.

O presidente também mencionou governantes que defendiam gerir o país pensando apenas em uma parcela restrita da população. “Conheço presidente neste país que dizia que o Brasil só daria certo se fosse governar para 35% da população”, criticou. Segundo ele, governar para quem tem conforto e estabilidade “é fácil”, porque “essas pessoas precisam muito pouco do governo”. A verdadeira decisão de governo, afirmou, é escolher “quem é que precisa do Estado”.

Ao finalizar, Lula sintetizou a filosofia distributiva que fundamenta a medida sancionada: “O que está acontecendo neste país é uma máxima que eu venho tentando dizer há muito tempo: muito dinheiro na mão de poucos significa miséria; pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza”.

A nova legislação de isenção até R$ 5 mil e redução do imposto para quem recebe até R$ 7.350 passa a valer já na próxima declaração de IR, representando um dos principais movimentos do governo para aliviar a carga tributária de trabalhadores e ampliar políticas de inclusão econômica no país.

Fonte: brasil247

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