A jornalista Mônica Bergamo afirmou, em comentário à rádio Band News, que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não pretende enfrentar sozinho as consequências do escândalo que envolve a instituição financeira e já provoca uma crise de grandes proporções em Brasília. Segundo ela, a disposição de Vorcaro em reagir altera o equilíbrio do jogo político e amplia o alcance das tensões entre os Poderes.
“Daniel Vorcaro não vai para a forca calado e, se ele falar, poucos sairão incólumes em Brasília”, afirmou a colunista, ao destacar o potencial explosivo do caso. Na avaliação de Bergamo, o episódio extrapolou o campo financeiro e passou a atingir diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF), algo inédito na história recente do país.
De acordo com a jornalista, diferentemente de crises anteriores, o Judiciário deixou de atuar como instância moderadora e passou a figurar como protagonista da turbulência institucional. “Esse escândalo arrastou de forma inédita o Supremo Tribunal Federal para o centro de uma crise em que ele aparece não como moderador, mas como protagonista”, disse.
O centro da crise, segundo Bergamo, é um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Até agora, não foram apresentadas explicações públicas detalhadas sobre os serviços prestados, o que mantém uma série de questionamentos em aberto. “Pode ser que tenha muita justificativa para esses 129 milhões, pode ser que tenha muito serviço prestado, mas nada disso foi até agora mostrado”, afirmou.
Para a jornalista, o silêncio em torno do contrato amplia o desgaste institucional e afeta diretamente a credibilidade da Corte. “A falta de explicações deixa um ponto de interrogação que afeta profundamente o Supremo no momento em que ele vai ser chamado mais uma vez para julgar um escândalo que tudo indica vai ser de grandes proporções”, disse. Segundo ela, a partir da existência desse contrato milionário, qualquer outro fato relacionado ao Banco Master passa a ter peso político maior. “Tudo ganha uma outra dimensão a partir do momento em que a gente sabe que existe esse contrato milionário, mas que até agora o ministro ou não quer dar nenhuma explicação ou não tem nenhuma explicação.”
Mônica Bergamo relatou que o caso gerou forte apreensão durante o período de Natal. Ela disse ter recebido ligações prolongadas de ministros, integrantes do governo, empresários e representantes do mercado financeiro preocupados com os desdobramentos. Em uma dessas conversas, ouviu a avaliação de um ministro: “Eu não sei se o Brasil está preparado para saber toda a verdade sobre esse caso, mas também não sei se o Brasil está preparado para continuar convivendo com esse grau de corrupção e promiscuidade que ainda está para ser revelado.”
Enquanto isso, as medidas institucionais avançam. O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, e a Polícia Federal prendeu o proprietário da instituição. Além disso, foi mantida uma acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli, envolvendo Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do Banco Central Ailton de Aquino, com audiência marcada para segunda-feira (30), mesmo durante o recesso do Judiciário. “O Banco Central liquidou o Banco Master. Tomou uma atitude forte, inquestionável. O que tinha que ser feito foi feito”, avaliou Bergamo.
Para a jornalista, o aspecto mais delicado do episódio é o impacto direto sobre o Supremo Tribunal Federal, justamente no momento em que a Corte exerce papel central na vida institucional do país. “É inédito ver o Supremo no centro de uma crise que promete se alongar e que envolve outros poderes da República. É ruim ter o principal poder garantidor da democracia baleado em meio a uma crise dessa magnitude.”
Originalmente publicado em Brasil247
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