Início Mundo Maior associação de saúde coletiva do Brasil se solidariza com crise sociossanitária em Cuba
Mundo

Maior associação de saúde coletiva do Brasil se solidariza com crise sociossanitária em Cuba

Abrasco afirma que as sanções impostas por Trump geraram uma 'grave crise sociossanitária'

Compartilhar
Compartilhar

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o maior grupo do país que trata sobre o tema, publicou uma nota na qual demonstra preocupação e solidariedade com a crise energética em Cuba. No documento, a associação afirma que as sanções econômicas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, geraram uma “grave crise sociossanitária” na ilha caribenha. 

Após invadir a Venezuela e sequestrar e prender Nicolás Maduro e Cilia Flores, o republicano assinou uma ordem executiva com medidas específicas para estrangular o fornecimento de petróleo a Cuba. As importações que vinham do México e da Venezuela foram interrompidas.

A Abrasco lembra que “o petróleo ainda é a base energética do país e um produto essencial para a manutenção de diversos setores na ilha, vitais para a garantia de condições básicas de sobrevivência da população cubana, a exemplo dos serviços de saúde pública e saneamento”. 

Segundo a organização, o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas em Cuba enfrenta falta de medicamentos e acesso limitado a exames e tratamentos contínuos. A entidade afirma que a situação afeta pessoas que dependem de cuidados permanentes e compromete a sobrevida.

Dados apresentados pelo ministro da Saúde Pública, José Ángel Portal Miranda, indicam que cerca de 5 milhões de cubanos atendidos por esses programas são impactados. Entre eles estão 16 mil pacientes que precisam de radioterapia e 12,4 mil que necessitam de quimioterapia. A fila para cirurgias supera 96 mil pessoas, com mais de 11 mil crianças.

A Abrasco também aponta que serviços como vacinação e exames pré-natais foram afetados. Segundo a organização, mais de 30 mil crianças dependem de transporte refrigerado para imunização e cerca de 32 mil gestantes aguardam ultrassonografias. A escassez de energia elétrica, de acordo com o texto, compromete a produção e conservação de alimentos e o acesso à água, o que amplia riscos à saúde.

Ao tratar da cooperação internacional, a entidade afirma que a atuação de profissionais cubanos em outros países tem histórico de alcance amplo. “Profissionais de saúde de Cuba, sobretudo médicos, atuam em países onde existem demandas e carências na cobertura de serviços de saúde”, diz o documento. Entre 2011 e 2016, mais de 140 mil profissionais atuaram em 67 países.

No Brasil, cerca de 14 mil médicos cubanos participaram do programa Mais Médicos entre 2013 e 2018, com atuação em áreas remotas do Sistema Único de Saúde. Após o encerramento do acordo em 2018, mais de 8 mil profissionais deixaram o país, o que, segundo a entidade, resultou em perda de atendimento em diferentes regiões.

A Abrasco argumenta que a situação atual exige resposta internacional e pede ações do governo brasileiro. “Nesse momento histórico para o povo cubano e no dever de combater as situações de ataque aos direitos humanos, devemos retribuir as ações de solidariedade que Cuba vem desenvolvendo por toda a América Latina, Caribe e África nas últimas décadas”, afirma. A entidade também diz que pretende denunciar o cenário a organismos internacionais e solicita medidas de apoio imediato.

Entre as propostas estão o envio de insumos de saúde e equipamentos para garantir energia, como baterias, geradores e placas solares. A entidade também sugere a criação de cooperação entre o sistema de saúde brasileiro e o cubano para desenvolver ações conjuntas.

Flotilha humanitária

A ativista brasileira Lisi Proença afirmou que a solidariedade internacional a Cuba deve ser ampliada diante da crise enfrentada pela ilha. “É um dever global prestar solidariedade ao povo cubano quando a sua soberania está sendo ameaçada pelo governo imperialista estadunidense”, disse em entrevista ao Opera Mundi.

A declaração ocorreu após a chegada da flotilha humanitária Nuestra América a Havana, com envio de alimentos, medicamentos, produtos de higiene e equipamentos para geração de energia. A embarcação reuniu voluntários de diferentes países e levou também painéis solares e baterias para enfrentar os impactos dos apagões.

Segundo a ativista, a iniciativa reúne organizações internacionais que atuam em ações de apoio ao país e denúncia do bloqueio. “É uma iniciativa de vários grupos que prestam solidariedade anualmente a Cuba”, afirmou. Ela também citou o histórico de cooperação internacional do país, com envio de profissionais de saúde e apoio a outros territórios em situações de crise.

Proença afirmou que a pressão dos Estados Unidos tem ampliado dificuldades internas. “Quanto mais aumentam a pressão, mais nos obrigam a sermos criativos e nos organizarmos melhor”, disse após falas do presidente Donald Trump sobre a ilha, que, segundo ela, reforçam o cenário de tensão.

A ativista também criticou a atuação do governo brasileiro. “Sempre se posiciona a favor da soberania da ilha, mas falta ação”, afirmou, ao cobrar envio de ajuda e medidas mais firmes.

Integrantes da flotilha relataram dificuldades no retorno aos seus países. Parte dos participantes foi interrogada em aeroportos, incluindo o brasileiro Thiago Ávila, que, segundo sua equipe, permaneceu horas em abordagem policial durante conexão no Panamá. Em mensagem divulgada, ele afirmou que “eles acham que podem nos intimidar, mas tudo o que fazem é aumentar nossa vontade”.

*Com informações do Brasil de Fato

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Fonte:BdF
Compartilhar
Artigos Relacionados

Encurralado pela economia global, Trump vê ‘colapso da hegemonia dos EUA’ com continuidade da guerra

O impasse entre Estados Unidos e Irã, com a prorrogação do cessar-fogo...

Irã condiciona retomada de negociações com os EUA à suspensão do bloqueio de Ormuz

O Irã afirmou que pode retomar negociações com os Estados Unidos mediadas pelo Paquistão...

Após dizer que não estenderia trégua com o Irã, Trump decide prorrogá-la

Entre novas idas e vindas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump...

Em viagem à Europa, Lula chama de “insensatez” guerra entre EUA e Irã

Presidente brasileiro cumpre agenda em Portugal nesta terça-feira (21/4), última etapa da...