Lula defende investimentos permanentes em defesa para garantir soberania nacional

Em Itajaí, presidente batiza fragata feita no Brasil e afirma que o setor será prioridade ao lado de educação, saúde, transição energética e IA

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (26), em Itajaí (SC), investimentos permanentes no setor de defesa como condição para o fortalecimento da soberania nacional. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento ao mar e batismo da Fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, iniciativa estratégica da Marinha do Brasil.

As informações são da Agência Gov. A fragata integra o Novo PAC e está alinhada à Nova Indústria Brasil, dentro de uma estratégia que combina modernização militar, reindustrialização, transferência de tecnologia e geração de empregos qualificados.

“Eu quero que vocês saibam que isso aqui, para mim, não é um navio, não é um monte de ferro, é um produto tecnológico de primeira linha. É o começo de um país que vai ser soberano e tomar conta do seu nariz”, afirmou Lula.

O presidente disse que o Brasil não busca conflitos com outros países, mas precisa estar preparado para proteger seus interesses, seu território e suas riquezas. “Eu quero que vocês saibam que além da educação, saúde, transição energética, inteligência artificial, a defesa faz parte das minhas prioridades para transformar esse país”, declarou.

Defesa como política permanente de Estado

Ao discursar, Lula sinalizou que a defesa nacional deve deixar de ser tratada como pauta ocasional e passar a integrar uma política permanente de desenvolvimento. Para o governo, investimentos no setor não se limitam à compra de equipamentos militares, mas envolvem ciência, tecnologia, indústria, engenharia, empregos e soberania.

A Fragata Cunha Moreira faz parte do Programa Fragatas Classe Tamandaré, que prevê a construção e incorporação de quatro navios militares de alta complexidade tecnológica para modernizar e ampliar a capacidade operacional da Marinha do Brasil.

Segundo o governo federal, os investimentos estimados no programa somam R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030, dos quais R$ 10,5 bilhões integram o Novo PAC. A previsão é gerar cerca de 23 mil empregos ao longo da execução do projeto, sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.

José Múcio: defesa pertence à soberania brasileira

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, destacou a dimensão estratégica dos investimentos no setor e afirmou que o atual governo tem tratado a área como prioridade nacional.

“É difícil para o presidente da República tirar 3 bilhões para uma fragata dessa, quando precisa dinheiro para alimento, casa, educação, saúde. Mas a defesa pertence à soberania brasileira, pertence a um país, pertence a todos”, afirmou.

Para Múcio, o investimento em defesa deve ser compreendido como parte da proteção do país e de sua capacidade de tomar decisões autônomas.

Novo PAC, indústria naval e conteúdo nacional

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que o Novo PAC não é apenas um programa de obras, mas um planejamento de longo prazo para o Brasil. Ela destacou a importância do conteúdo nacional nos investimentos públicos e privados em infraestrutura.

“O PAC pensa também no futuro do país. E a primeira coisa é a necessidade de conteúdo nacional nos investimentos e infraestrutura no Brasil. A gente pensa também como é que o país segue crescendo, como é que a gente fortalece a nossa indústria e, com isso, gerando empregos de qualidade”, disse.

Segundo Miriam, o Programa Fragatas Classe Tamandaré tem papel duplo: equipar a Marinha e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade produtiva da indústria naval brasileira. A meta é capacitar o país para produzir e exportar equipamentos sofisticados, com maior valor agregado.

Marinha destaca papel estratégico do mar para o Brasil

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou que o crescimento econômico do Brasil depende do uso progressivo e sustentável do mar. Segundo ele, por rotas marítimas transitam 97% do volume de mercadorias importadas e exportadas pelo país, o que representa 80% do valor do comércio exterior brasileiro.

“Nesse contexto, a concretização das entregas evidencia que investimentos em defesa se revertem em benefícios tangíveis à sociedade em um poder que é pilar à proteção de recursos, fluxos logísticos e instrumento de resposta do Estado”, afirmou.

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é considerado estratégico para a recomposição do Núcleo do Poder Naval da Marinha do Brasil e para a proteção da Amazônia Azul, área marítima brasileira com mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

Fragata Cunha Moreira protegerá a soberania por 40 anos

As embarcações são construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada por Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech.

Fernando Queiroz, CEO da Águas Azuis, afirmou que o programa já deixa um legado social e econômico ao gerar emprego, renda e esperança para milhares de famílias brasileiras.

“Não existe legado maior do que oferecer aos filhos oportunidades que seus pais muitas vezes não tiveram. A Fragata Cunha Moreira protegerá a soberania do Brasil pelos próximos 40 anos. Mas milhares de famílias brasileiras já estão sendo protegidas hoje pelo emprego, pela renda, pela esperança que este programa ajudou a construir”, afirmou.

As fragatas possuem capacidade de deslocamento de 3.500 toneladas, 107 metros de comprimento, convés de voo e hangar para helicópteros, além de radares, sistemas de armas avançados e sensores integrados. Os navios atendem a altos padrões de navegabilidade, estabilidade, operação, desempenho e segurança.

Transferência de tecnologia e Base Industrial de Defesa

Além de ampliar a capacidade operacional da Marinha, o programa prevê transferência de tecnologia e fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. A iniciativa integra a Nova Indústria Brasil, especialmente na missão voltada ao desenvolvimento de tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais.

A expectativa é que o país consolide competências industriais e tecnológicas em um setor considerado estratégico, reduzindo dependências externas e ampliando a autonomia nacional.

Com a incorporação das fragatas, o Brasil também ampliará sua capacidade de realizar operações de busca e salvamento, proteger recursos marítimos e cumprir compromissos internacionais.

Solidariedade à Venezuela

Antes de iniciar seu discurso, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos registrados na Venezuela. Em seguida, determinou ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que avalie formas de apoio humanitário ao país vizinho.

“Queria determinar que, na semana que vem, você fosse à Venezuela para discutir o que a nossa defesa pode fazer de ajuda ao povo da Venezuela”, afirmou.

O gesto reforçou a dimensão regional da política externa brasileira e a compreensão de que a defesa também pode atuar em missões humanitárias e de solidariedade internacional.

Com o lançamento da Fragata Cunha Moreira, Lula buscou consolidar a mensagem de que defesa, soberania, indústria nacional e desenvolvimento tecnológico fazem parte de uma mesma estratégia de país. Para o governo, investir de forma permanente no setor é garantir que o Brasil tenha capacidade de proteger suas riquezas, dominar tecnologias sensíveis e afirmar sua autonomia no cenário internacional.

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