Investimento envolve produção da Serra Verde, em Goiás, e reforça estratégia dos Estados Unidos para reduzir dependência da China no fornecimento de minerais considerados essenciais para setores tecnológicos e militares
O governo dos Estados Unidos anunciou um investimento de US$ 750 milhões, aproximadamente R$ 3,8 bilhões, ligado à produção de terras raras no Brasil. Os recursos serão destinados a uma sociedade de propósito específico criada para viabilizar a aquisição da produção da mineradora Serra Verde, responsável pelo projeto Pela Ema, no norte de Goiás.
A operação coloca minerais extraídos em território brasileiro dentro da estratégia norte-americana de assegurar o fornecimento de matérias-primas consideradas fundamentais para sua indústria. As terras raras possuem aplicações em diferentes setores tecnológicos e também são empregadas na fabricação de equipamentos militares.
O aporte de US$ 750 milhões faz parte de uma estrutura financeira mais ampla, de US$ 1,55 bilhão. O pacote inclui ainda um compromisso de compra de US$ 300 milhões pela Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos e outros US$ 500 milhões provenientes de um grande banco comercial não identificado.
O investimento norte-americano também foi ampliado em relação ao inicialmente previsto. O compromisso anterior era de US$ 500 milhões, mas o valor foi elevado em mais US$ 250 milhões.
Produção brasileira será destinada a acordo de 15 anos
A Serra Verde é responsável pela mina Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás, e é atualmente a única operação brasileira que produz terras raras em escala comercial. O empreendimento ganhou importância internacional por possuir elementos utilizados na produção de ímãs de alto desempenho.
Em abril, a mineradora havia anunciado uma operação de fusão e aquisição envolvendo a norte-americana USA Rare Earth. Também foi estabelecido um contrato para fornecer 100% da produção prevista na primeira fase por 15 anos à sociedade de propósito específico financiada por recursos públicos e privados dos Estados Unidos.
Entre os elementos encontrados na produção brasileira está o samário, utilizado em aplicações que exigem resistência a temperaturas elevadas. As terras raras também são empregadas em ímãs presentes em caças F-35, drones, mísseis Tomahawk e outros equipamentos de alta tecnologia.
O interesse norte-americano ocorre em um momento de intensificação da disputa internacional pelo controle das cadeias de minerais críticos.
Brasil ganha importância na disputa entre EUA e China
A estratégia dos Estados Unidos busca principalmente diminuir sua dependência da China, que concentra mais de 90% do processamento industrial de terras raras, segundo os dados apresentados na reportagem.
Washington também decidiu que, a partir de 2027, deixará de adquirir determinados ímãs produzidos com terras raras extraídas ou processadas na China e em outros países considerados adversários, como Rússia, Irã e Coreia do Norte.
Nesse cenário, o Brasil assume posição estratégica por possuir a segunda maior reserva mundial de terras raras. A existência de uma operação comercial já estabelecida em Goiás aumenta o interesse estrangeiro pelos recursos minerais brasileiros.
A China, por sua vez, adotou restrições às exportações de alguns desses elementos e passou a exigir informações adicionais para liberar determinados produtos, incluindo a identificação dos usuários finais.
A movimentação reforça a dimensão geopolítica das terras raras. Além de fundamentais para equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e tecnologias de energia, esses minerais são considerados estratégicos para a indústria de defesa, transformando o acesso às reservas e às cadeias de processamento em uma questão de segurança econômica e militar para as grandes potências.
Fontes:: Brasil de Fato
Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
Nota de transparência: Este conteúdo foi reescrito em formato jornalístico a partir das informações publicadas pelas fontes citadas, com alteração de título, estrutura e redação. As informações foram confrontadas com cobertura complementar sobre o caso.



