Ceilândia em Alerta — Pesquisa realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) revela que 79% das mulheres entrevistadas no Distrito Federal percebem aumento da violência doméstica e familiar contra o público feminino. O levantamento faz parte da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher.
O estudo ouviu 802 mulheres com 16 anos ou mais no Distrito Federal. Entre elas, 269 afirmaram ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida, enquanto 33 relataram ter passado por uma situação de violência nos 12 meses anteriores à entrevista.
Das mulheres que disseram ter sido vítimas de agressões, 16 procuraram uma delegacia comum ou uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o que corresponde a 48% das entrevistadas que relataram violência.
Os dados também revelam a dimensão da violência psicológica e física. Entre as mulheres que sofreram agressões, 91% afirmaram ter sido vítimas de violência psicológica e 82% relataram violência física.
O ciúme aparece como um dos principais fatores associados às agressões. Em 51% dos casos, as entrevistadas disseram que o autor estava com ciúmes no momento da violência. Em outros 48%, o agressor estaria inconformado com o fim ou com uma tentativa de término do relacionamento.
O companheiro ou marido foi apontado como o principal agressor entre as mulheres do DF que sofreram violência. Eles foram responsáveis por 48% dos casos, percentual inferior à média nacional, de 62%.
Além disso, 16% das brasilienses vítimas de violência afirmaram que ainda vivem ou mantêm convivência com a pessoa responsável pelas agressões.
A percepção de desrespeito também aparece em outros ambientes. A rua foi apontada por 53% das entrevistadas como o local onde se sentem menos respeitadas. O ambiente de trabalho foi citado por 26%.
Percepção sobre a Lei Maria da Penha
Apesar de reconhecerem a dimensão do problema, parte das entrevistadas demonstra dúvidas sobre a capacidade da legislação de proteger as mulheres contra a violência doméstica e familiar.
No Distrito Federal, 22% acreditam que a Lei Maria da Penha oferece proteção às mulheres. Outros 55% avaliam que a legislação protege apenas parcialmente, enquanto 21% não consideram a lei capaz de garantir essa proteção.
O conhecimento sobre a legislação, entretanto, é maior entre as mulheres do DF do que na média nacional. Segundo a pesquisa, 28% das entrevistadas no Distrito Federal afirmaram conhecer muito a Lei Maria da Penha, diante de 21% no conjunto do país.
A Delegacia da Mulher é o serviço de proteção mais conhecido pelas brasilienses: 98% afirmaram conhecer o equipamento.
A pesquisa também mostra que a violência está próxima da realidade da maioria das entrevistadas. No DF, 69% disseram conhecer alguém que já sofreu violência doméstica ou familiar.
Duas décadas de pesquisas
A 11ª edição do levantamento representa duas décadas de acompanhamento da violência contra as mulheres no Brasil. A primeira pesquisa foi realizada em 2005 e contribuiu para o debate que resultou na criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006.
Ao longo dos anos, o estudo passou a abordar novas dimensões da violência, incluindo questões relacionadas a raça, gênero e tecnologia, além de analisar a rede de proteção e os mecanismos disponíveis para as vítimas.
Segundo José Henrique Varanda, coordenador do Instituto DataSenado, o levantamento acompanha, a cada dois anos, as mudanças relacionadas à violência contra as mulheres, à legislação e à percepção da sociedade sobre o problema.
De acordo com Varanda, quase 29 milhões de brasileiras — aproximadamente uma em cada três mulheres com 16 anos ou mais — vivenciam situações de violência a cada 12 meses. Ele ressalta ainda que grande parte dessas mulheres não reconhece ou não declara as situações vivenciadas como violência.
O coordenador afirma que o objetivo da pesquisa é dar visibilidade a situações que muitas vezes não aparecem nos registros oficiais, contribuindo para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento da proteção às mulheres.
A pesquisa utiliza amostras probabilísticas e apresenta resultados com nível de confiança de 95%. No Distrito Federal, as entrevistas foram realizadas por telefone com mulheres de 16 anos ou mais. A margem de erro média observada para o DF foi de 2,35%, considerando as estimativas simples apresentadas no levantamento.
Os dados estaduais fazem parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência, pelo Instituto Natura e pela Gênero e Número. A ferramenta permite comparar a realidade das 27 unidades da Federação e analisar a diferença entre os casos de violência vivenciados pelas mulheres e aqueles registrados oficialmente.
Onde pedir ajuda
Mulheres vítimas de violência ou pessoas que presenciem situações de agressão podem procurar os seguintes canais:
- 190: Polícia Militar do Distrito Federal. O serviço funciona 24 horas por dia e envia uma viatura ao local da ocorrência.
- 197: Polícia Civil do Distrito Federal. Também é possível denunciar pelo WhatsApp (61) 98626-1197 e pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br.
- 180: Central de Atendimento à Mulher. O serviço recebe e encaminha denúncias aos órgãos responsáveis e funciona 24 horas por dia. A denúncia pode ser feita de forma anônima.
- Deam 1: localizada na EQS 204/205, na Asa Sul. A unidade atende casos de violência contra mulheres em todo o DF, com exceção de Ceilândia.
- Deam 2: localizada no Setor M, QNM 2, em Ceilândia. A unidade é responsável pelo atendimento de crimes contra mulheres ocorridos na região.
Fonte: Correio Braziliense.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



