Vítima de cancelamento a partir de denúncias anônimas, um dos maiores intelectuais do Brasil foi ovacionado pelo público na Casa de Portugal
O professor e filósofo Alysson Mascaro, catedrático da Universidade de São Paulo e um dos maiores intelectuais marxistas do Brasil, retornou ao debate público de forma triunfal, ao lançar o livro Crítica do Cancelamento (Editora Contracorrente / Editora 247) nesta quarta-feira 26, na Casa de Portugal, em São Paulo. Após um discurso tocante sobre a perseguição insidiosa de que foi vítima, após denúncias anônimas e infundadas sobre sua sexualidade, Mascaro foi ovacionado pelo público. “Quero seduzir toda a humanidade para o socialismo”, disse ele, reafirmando a esperança de que seu massacre midiático tenha sido um ponto de virada na prática perversa e covarde do cancelamento – um instrumento do capitalismo neoliberal, que se traveste de progressista, para silenciar vozes indesejáveis. Ao comandar a mesa, a jornalista Dhayane Santos, diretora da TV 247, comparou o cancelamento a uma espécie “necropolítica digital”.
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Em sua fala, Rafael Valim, editor da Contracorrente, afirmou que pela primeira vez “lançou o livro de um cancelado” e cobrou mais coragem e solidariedade por intelectuais progressistas. José Genoino, uma das maiores lideranças da esquerda brasileira, vítima de perseguição durante o julgamento da Ação Penal 470, comparou o cancelamento “a uma morte civil” e disse que a “solidariedade” deve ser um valor central da esquerda. Leonardo Attuch, co-editor da obra, ao lado de Rafael Valim, apontou a absoluta inconsistência material das denúncias apresentadas contra Mascaro, enquanto Juliana Magalhães, que falou pelos orientandos de Mascaro, apontou o real o motivo da perseguição: Mascaro introduziu a crítica marxista do direito na Universidade de São Paulo. Por fim, a escritora Dora Incontri afirmou que lançamento foi histórico porque sinaliza que a voz de Mascaro não será silenciada.

Primeiro livro resultante de uma aliança da Contracorrente com a Editora 247, o livro propõe uma reflexão radical sobre um dos fenômenos mais emblemáticos do nosso tempo histórico. Longe de reduzir o cancelamento a um problema moral ou digital, Alysson Mascaro o interpreta como expressão das contradições do liberalismo, apresentando-o em uma nova fronteira do controle social e da imposição do colapso ao ser humano.
O autor, que já experimentou os efeitos do cancelamento, explica que, sob a aparência de justiça e progresso, o fenômeno converte as lutas por gênero, raça e orientação afetiva em instrumentos de reprodução da sociabilidade capitalista, esvaziando seu potencial emancipatório. Mascaro defende que a emancipação real só pode vir da transformação estrutural da sociabilidade – isto é, de uma crítica ao capitalismo e não apenas de correções morais. Sonho com um mundo que seja “um jardim dos prazeres e não mais um vale de lágrimas”, disse Mascaro, que foi aplaudido de pé pelo público durante vários minutos.

Fonte: brasil247
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