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Em Portugal, conservadores apoiam socialista para barrar ultradireitista

Cientes dos riscos da extrema direita chegar à presidência, nomes proeminentes da política portuguesa declaram voto em Antonio José Seguro no segundo turno

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Nomes tradicionais do campo conservador de Portugal decidiram apoiar o socialista António José Seguro (PS) para o segundo turno da eleição presidencial, que acontece no dia 8 de fevereiro, formando uma ampla frente contra o ultradireitista André Ventura, do partido Chega.

O mais recente apoio de peso veio do ex-presidente Aníbal Cavaco Silva, do Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, anunciado nesta segunda-feira (26). Pelo mesmo partido, os prefeitos de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Pedro Duarte também declararam sua preferência por Seguro.

Candidato do PSD apoiado pelo CDS-PP, partido democrata-cristão e conservador, Luís Marques Mendes disse, inicialmente, que não iria endossar nenhum dos nomes. Mas, na semana passada, reviu sua decisão, declarando que o socialista era o “o único candidato” que se aproxima de valores como a “defesa da democracia e a garantia do espaço da moderação”, além do “respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”.

Outros nomes importantes da política portuguesa declararam seu apoio ao socialista, entre eles, Miguel Poiares Maduro (PSD), ex-ministro do Desenvolvimento Regional de Portugal; o ex-deputado e dirigente social-democrata José Pacheco Pereira e o advogado José Miguel Júdice, peça central da candidatura de João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal, IL).

Também declararam seu apoio ao socialista o secretário regional da Economia do Governo da Madeira, José Manuel Rodrigues, além do social-democrata António Tavares, entre outros.

Partidos e concorrentes de esquerda, tais como Catarina Martins, Jorge Pinto e António Filipe — candidatos apoiados respectivamente pelo Bloco de Esquerda, Livre e Partido Comunista — já haviam comunicado publicamente apoio a Seguro.

Carta aberta por Seguro

No sábado (24), cerca de 250 lideranças políticas não-socialistas lançaram uma carta aberta em apoio a Seguro. O texto diz que o candidato da extrema direita, André Ventura, “tem apresentado este sufrágio como um confronto entre o bloco das esquerdas e o bloco das direitas, que qualificou como o campo ‘não-socialista’. Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses”.

Por outro lado, aponta que Seguro, “evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade. Assim sendo, os signatários, ainda que não-socialistas, votam e apelam ao voto em António José Seguro. Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”.

Esta é a primeira vez, desde 1986, que Portugal terá segundo turno numa eleição para presidente. O país rege-se pelo sistema semipresidencialista, em que o presidente é o chefe do Estado, e o primeiro-ministro é o chefe de governo.

O primeiro turno aconteceu no dia 18 de janeiro e terminou com Seguro na liderança, com 31% dos votos, seguido por Ventura, com 23,5%. O segundo turno acontece no dia 8 de fevereiro.

Com informações do Vermelho

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