Fraco e sem personalidade, ao ter sido chamado atenção por Bolsonaro, Luís Henrique Mandetta abandonou o primeiro discurso de uma pessoa técnica e se rebaixou ao discurso político de um governo estúpido e desumano. Agora, Mandetta fez pior, simplesmente não compareceu à convocação da OMS, relativa à pandemia de coronavírus, com mais de 50 ministros da saúde de todo o planeta.
À reunião reunião virtual, compareceram os ministros da França, Itália e Espanha, países profundamente implicados na pandemia. À OMS, o ministro bolsonarista disse que estava com a presidência da República e não haveria tempo e não deu detalhes.
O ministério, por sua vez, não manifestou nenhuma explicação.
Mandetta, há poucos dias alinhou seu discurso a Bolsonaro e passou adotar a postura de tentar proteger a produção e o mercado, em detrimento ao povo brasileiro.
Nesta sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou uma reunião com mais de 50 ministros da saúde de todo o mundo para debater estratégias comuns para lidar com a pandemia e coordenar posições.
Apesar da presença de ministros de países duramente afetados, como EUA, França, China e Coreia do Sul, o ministro brasileiro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não participou da reunião e a delegação nacional contou apenas com o terceiro escalão do governo.
O encontro ocorreu de forma virtual e, por mais de duas horas, governos trocaram impressões com a direção da OMS sobre os próximos passos da luta contra a pandemia. Governos apresentaram suas estratégias, êxitos e desafios diante do surto.
Mas, para a surpresa da alta cúpula da OMS, a participação brasileira não contou com a máxima autoridade para a Saúde. Procurado, o Ministério da Saúde explicou que, no momento do encontro, Mandetta estava na Presidência da República e não poderia participar, sem dar detalhes.
A pasta tampouco explicou quem representou o Brasil durante o encontro. A coluna foi informada que houve um representante do país, mas de baixo escalão.
A presença ministerial de diferentes governos foi interpretada como um sinal do compromisso político de países em lidar com a crise. A participação da máxima autoridade sanitária também foi considerada como um sinal da aceitação desses governos pelas recomendações da OMS.
A ausência do maior país da América do Sul, portanto, chamou a atenção. Nesta semana, a OMS já havia ligado o sinal de alerta quando o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, minimizou a doença e ainda deu sinais contrários às medidas de distanciamento social.
Na quinta-feira, ao ser questionado pela coluna, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, respondeu de forma clara à tentativa do governo brasileiro de reduzir a importância do assunto: “as UTIs estão lotadas em muitos países”.
No encontro desta sexta-feira, Tedros voltou a pedir o compromisso político de todos os governos para agir contra o vírus e apresentou seis medidas que gostaria que todos os países adotassem.
Entre elas está o teste de todas as pessoas com sintomas, assim como a preparação dos sistemas públicos de saúde. Para completar, Tedros também insistiu que a crise não poderia ser lidada apenas pelos Ministérios da Saúde e que governos precisam assumir a crise de uma maneira mais ampla.
“Mantivemos um encontro com cerca de 50 ministros da Saúde de todo o mundo, no qual China, Japão, Coreia do Sul e Singapura compartilharam suas experiência e lições que aprenderam”, disse Tedros.
“Vários temas comuns apareceram sobre o que foi lidado: a necessidade de identificação rápida (de pacientes) e o isolamento de casos confirmados”, explicou.
Outro tema foi a necessidade de um atendimento eficiente e a “necessidade de comunicar para construir confiança e engajar as comunidades na luta”.
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