Publicação independente chega à sétima edição combinando jornalismo, cultura e mobilização social, com debates sobre políticas públicas, saúde mental, sexualidade e enfrentamento ao lesbocídio.
A Revista Brejeiras completa oito anos de atuação como um espaço de comunicação produzido por e para lésbicas. Criada diante da percepção de que as experiências dessas mulheres tinham pouca representação nos meios de comunicação e até mesmo dentro de movimentos sociais, a publicação transformou-se também em instrumento de mobilização e organização política.
Com sete edições publicadas, a revista aborda história, cultura, política, sexualidade e questões sociais relacionadas às comunidades lésbicas. A proposta nasceu de conversas entre as integrantes do projeto sobre o apagamento dessas mulheres no debate público e a necessidade de criar um veículo próprio de comunicação.
A primeira edição impressa foi lançada em 2018, pouco depois do assassinato da vereadora Marielle Franco. Com apenas 100 exemplares inicialmente produzidos, a tiragem se esgotou em cerca de 15 minutos e precisou ser ampliada. A edição seguinte chegou a mil exemplares e trouxe Mônica Benício na capa.
Publicação ultrapassa as páginas da revista
Além de reportagens, a Brejeiras mantém espaços dedicados à produção acadêmica, sexualidades, gastronomia e saberes ancestrais. Quase todas as edições foram lançadas em formato impresso; a exceção ocorreu durante a pandemia, quando uma edição digital apresentou a história de Nicinha e Jurema, casal de mulheres mais velhas da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Ao longo dos anos, o projeto também ampliou sua atuação para encontros, debates e eventos presenciais em diferentes regiões do país. Para as responsáveis pela iniciativa, a revista passou a funcionar não apenas como veículo de comunicação, mas também como espaço de conscientização e articulação política.
A edição mais recente, intitulada “Sexo, Drogas e Lesbianidades”, foi lançada em espaços como a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Ocupação Manoel Congo, no Rio de Janeiro. A publicação discute saúde mental, políticas de redução de danos e o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps AD).
Direitos e políticas públicas também estão no centro do projeto
A atuação das integrantes da Brejeiras alcança ainda o debate legislativo. Entre as iniciativas mencionadas pela publicação estão o Projeto de Lei Luana Barbosa, voltado ao enfrentamento do lesbocídio, e o PL Cassandra Rios, relacionado ao incentivo à produção literária e à comunicação popular lésbica.
A edição atual também recupera os dez anos do caso Luana Barbosa, os 30 anos do 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale) e a trajetória de Neusa das Dores, liderança histórica dos movimentos negro e lésbico.
Ao completar oito anos, a Brejeiras consolida uma trajetória que combina comunicação independente, preservação da memória, produção cultural e reivindicação de políticas públicas, mantendo as experiências e demandas das comunidades lésbicas no centro de suas pautas.
🔍 Fontes: Brasil de Fato
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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