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Exército do Lula reúne 10 milhões de pessoas e transforma a militância digital nas eleições de 2026

André Janones e o presidente Lula posam lado a lado, de braços cruzados, vestindo camisas sociais azul-claras. Janones aparece à esquerda, enquanto Lula, à direita, usa chapéu claro com faixa preta. Ao fundo, uma parede revestida de madeira.
O presidente Lula e o deputado federal André Janones durante a campanha eleitoral de 2026, marcada pela mobilização digital de milhões de apoiadores por meio do WhatsApp e de outras redes sociais.

Mobilização coordenada por André Janones no WhatsApp revela novas formas de participação política e amplia o debate sobre o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais.

Ceilândia em Alerta – A mobilização de milhões de brasileiros por meio das redes sociais tornou-se um dos fenômenos políticos das eleições presidenciais de 2026. O chamado Exército do Lula, comunidade organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), alcançou a marca de 10 milhões de inscritos no WhatsApp às vésperas do segundo turno, demonstrando como as plataformas digitais passaram a desempenhar um papel cada vez mais importante na comunicação entre candidatos, militantes e eleitores.

O crescimento da comunidade foi analisado pelo jornalista e escritor C. S. Soares em artigo de opinião publicado nesta quarta-feira (28) pelo Brasil de Fato. Segundo o autor, a experiência representa uma transformação na maneira como os cidadãos participam das disputas políticas, deixando de atuar apenas como receptores de mensagens para assumir também funções de produção, interpretação e distribuição de conteúdos.

Militância digital amplia participação e circulação de informações

A estratégia do Exército do Lula envolveu o compartilhamento de vídeos, mensagens, publicações e orientações para ações nas redes sociais. Os participantes eram convidados a divulgar conteúdos, comentar publicações e mobilizar outras pessoas, ampliando o alcance das mensagens por meio de suas próprias redes de contatos.

Esse modelo se diferencia das campanhas tradicionais, nas quais a comunicação costuma partir de estruturas partidárias ou profissionais e chegar ao eleitor por meio da televisão, do rádio e da publicidade. Nas comunidades digitais, os participantes também contribuem para a circulação das informações, criando novas possibilidades de interação e organização política.

Para explicar essa mudança, C. S. Soares recorre às reflexões de pesquisadores como Henry Jenkins, Manuel Castells e Zeynep Tufekci. Os estudos desses autores abordam a cultura participativa, a comunicação em rede e a capacidade das plataformas digitais de organizar grandes mobilizações em períodos relativamente curtos.

A experiência também levanta questionamentos sobre a influência dessas comunidades nos resultados eleitorais. Embora Lula tenha vencido Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos válidos, não é possível afirmar que os 10 milhões de inscritos no canal tenham se convertido em votos ou que tenham determinado o resultado da eleição.

Desafio será transformar mobilização eleitoral em participação permanente

Na avaliação apresentada pelo articulista, o principal desafio dessas iniciativas é manter a participação dos integrantes depois do encerramento das campanhas. Comunidades que conseguem reunir milhões de pessoas durante uma disputa eleitoral nem sempre desenvolvem estruturas capazes de sustentar o engajamento em debates públicos e atividades políticas permanentes.

A discussão envolve também o papel dos partidos, que poderão precisar adaptar suas estratégias de comunicação à realidade das plataformas digitais. Isso inclui a formação de participantes, a produção colaborativa de conteúdos e a integração entre as atividades realizadas pela internet e a organização política nos bairros, sindicatos, movimentos sociais e demais espaços de participação.

Outro aspecto destacado é a utilização crescente da inteligência artificial na comunicação política. Essas ferramentas podem acelerar a criação de materiais, facilitar a organização de comunidades e ampliar a capacidade de distribuição de informações. Entretanto, também apresentam riscos relacionados à manipulação de conteúdos, à desinformação e ao uso inadequado de dados pessoais.

Redes sociais ampliam possibilidades, mas também exigem responsabilidade

O crescimento da militância digital evidencia mudanças importantes na relação entre sociedade, partidos políticos e meios de comunicação. Ao mesmo tempo que permite maior participação de cidadãos nas discussões públicas, esse ambiente exige atenção à veracidade das informações e à transparência das estratégias utilizadas.

O artigo de C. S. Soares destaca que o Exército do Lula poderá ser lembrado como uma experiência relevante de organização política digital. Sua importância, segundo a análise, não está apenas no número de inscritos, mas na capacidade demonstrada de conectar pessoas e estimular ações coletivas.

A experiência das eleições de 2026 reforça que as disputas políticas ultrapassaram os espaços tradicionais de campanha. As redes sociais passaram a integrar o cotidiano da participação democrática, trazendo novas oportunidades de mobilização e desafios para a qualidade do debate público.


Fonte: Brasil de Fato — Artigo de opinião de C. S. Soares

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