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Banco Central abre sindicância para apurar falhas no caso Banco Master

Investigação sigilosa busca identificar falhas na supervisão e ocorre após a saída de chefes do Departamento de Supervisão Bancária

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O Banco Central decidiu instaurar uma investigação interna para esclarecer possíveis falhas nos mecanismos de fiscalização que antecederam a liquidação do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. A apuração ocorre em meio a mudanças relevantes na cúpula responsável pela supervisão do sistema financeiro e pretende reconstruir, de forma detalhada, os acontecimentos que levaram ao colapso do banco, informa o jornal O Globo.

A sindicância é conduzida sob sigilo pela corregedoria do Banco Central e foi determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, no fim de 2025. Em paralelo ao avanço da investigação, deixaram seus cargos Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que estavam à frente do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Até o momento, não há acusações formais contra os dois servidores.

Procurado, o Banco Central afirmou que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”. Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira e ex-diretor de fiscalização, foi o primeiro a sair. Ele havia autorizado, no passado, a aquisição do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que deu origem ao Banco Master. Mais recentemente, exercia a função de chefe-adjunto do Desup, com responsabilidade direta sobre o acompanhamento da solidez do sistema financeiro.

Na sequência, Belline Santana também deixou o comando do Departamento de Supervisão Bancária. Ele chegou a ser cogitado para assumir a diretoria de Fiscalização do Banco Central, hoje ocupada por Aílton de Aquino Santos. Durante sua gestão, Belline assinou ofícios e despachos encaminhados ao Ministério Público Federal relacionados ao Banco Master, documentos que chegaram a ser citados pela defesa de Vorcaro em processos judiciais.

Em um desses ofícios, Belline relatou que uma operação considerada suspeita envolvendo a compra de carteiras fictícias de crédito pelo Banco Master, no fim de 2024, teria sido desfeita no início de 2025. Em outro trecho do documento, afirmou que o Banco Central não havia identificado indícios de irregularidades em determinadas operações de crédito consignado originadas pela própria instituição.

Segundo relatos de integrantes do Banco Central, a investigação interna não tem como objetivo promover punições automáticas, mas sim produzir um diagnóstico aprofundado do caso, nos moldes de apurações técnicas realizadas após acidentes aéreos, para compreender as causas e aperfeiçoar regras e controles futuros. Internamente, a iniciativa é comparada à análise de uma “queda de avião”, em que o foco está na identificação de falhas sistêmicas.

O Banco Master apresentou crescimento acelerado ao captar recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos muito acima da média do mercado. Enquanto outras instituições costumam oferecer taxas de até 98% do CDI, o banco de Vorcaro chegou a prometer retornos de até 140% do índice. Com o desgaste desse modelo e dificuldades crescentes para honrar compromissos, a instituição passou a ser monitorada de forma mais rigorosa pelo Banco Central a partir de 2024.

Com o agravamento da crise, Daniel Vorcaro negociou a venda do banco para o BRB, que já vinha prestando apoio à instituição por meio da compra de carteiras de crédito. O caso ganhou dimensão pública em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, determinou o encerramento das atividades, afastou administradores e bloqueou bens para pagamento de credores.

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraude em operações de venda de carteiras de crédito, estimadas em R$ 12,2 bilhões, envolvendo o BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Tanto o Banco Master quanto o BRB negaram irregularidades e afirmaram que as carteiras consideradas problemáticas foram substituídas.

Outra frente de investigação, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Banco Central, apura indícios de irregularidades na relação entre o Banco Master e a gestora Reag DTVM, liquidada em 15 de janeiro de 2026. De acordo com as apurações, o banco concedia empréstimos a empresas que repassavam os recursos para inflar artificialmente resultados de fundos administrados pela Reag, antes de o dinheiro retornar ao próprio Master por meio de aplicações em CDBs.

Um dos casos citados envolve um empréstimo de R$ 459 milhões concedido à Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag. Conforme revelado anteriormente, os recursos foram rapidamente direcionados ao Fundo Brain Cash, criado poucas semanas antes com patrimônio inicial reduzido, e depois transferidos entre outros fundos ligados à gestora. Segundo a investigação, essas operações culminaram na reavaliação de ativos de baixa liquidez e em uma rentabilidade extraordinária registrada por um dos fundos em 2024.

Procurados ao longo das investigações, tanto o Banco Master quanto a Reag DTVM negaram qualquer irregularidade nas operações sob suspeita.

Com informações do brasil247

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