Governo também deplorou a atuação da família Bolsonaro contra os interesses nacionais
247 – O governo federal divulgou nesta quinta-feira (29) uma dura nota oficial em resposta às movimentações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. No documento, publicado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Palácio do Planalto acusa integrantes da família Bolsonaro de incentivarem interferência estrangeira em assuntos internos brasileiros e os classifica como “falsos patriotas”.https://landing.mailerlite.com/webforms/landing/r9f0h9
A manifestação ocorre após o governo dos Estados Unidos avançar na classificação de facções criminosas latino-americanas como organizações terroristas. Embora reafirme a disposição do Brasil para cooperar internacionalmente no combate ao crime organizado, o Planalto sustenta que a soberania nacional não está em discussão.
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, afirma a nota.
O governo destaca que o enfrentamento dessas organizações criminosas “é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”. Segundo o texto, o terror imposto por facções em comunidades está ligado à busca de lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundido com o terrorismo internacional motivado por razões ideológicas, políticas ou religiosas.
Nesse contexto, o Planalto acusa adversários políticos de tentarem explorar o tema de forma oportunista. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”, diz a nota.
Em um dos trechos mais contundentes do documento, o governo dirige críticas diretas à família Bolsonaro. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma.
A nota também menciona “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”. Embora não cite nomes, a referência ocorre em meio às articulações de aliados do ex-presidente junto a autoridades norte-americanas.
O governo aproveitou a manifestação para destacar medidas recentes de combate ao crime organizado. Entre elas, está a aprovação de uma nova legislação contra facções e milícias que prevê penas de até 80 anos de prisão. Segundo o texto, trata-se da maior punição prevista atualmente na legislação brasileira.
Além disso, o Planalto ressaltou o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que busca atingir tanto os operadores das facções quanto suas estruturas financeiras e de comando. “O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, registra a nota.
Ao tratar da cooperação internacional, o governo afirma que o crime organizado transnacional exige esforços conjuntos entre países. Nesse sentido, informa ter apresentado em 16 de abril ao Departamento de Estado dos Estados Unidos uma proposta baseada em inteligência e cooperação internacional.
“O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil”, destaca o documento.
O Planalto afirma que continuará aberto a iniciativas de cooperação. “Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos”, diz a nota.
Ao mesmo tempo, o governo faz um alerta contra possíveis medidas unilaterais adotadas por países estrangeiros. Segundo o texto, ações desse tipo “podem enfraquecer o combate aos criminosos”, prejudicar o compartilhamento de informações entre forças policiais e provocar impactos econômicos relevantes.
A nota menciona inclusive riscos ao sistema financeiro nacional e ao Pix. “Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”, afirma.
Na conclusão, o governo reforça que não aceitará ingerências externas e reafirma o princípio da soberania nacional. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”
Leia a nota na íntegra:
Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.
O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.
A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.
É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.
Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.
O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.
Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.
Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.
Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.
A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.
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