Primeiro-ministro questiona crescimento dos partidos árabes e denuncia suposta interferência estrangeira, enquanto oposição cobra respeito ao resultado das urnas.
Ceilândia em Alerta – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou nesta quinta-feira (29) as acusações de fraude nas eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27), depois que seu bloco político não conseguiu alcançar a maioria necessária para formar governo. O partido Likud, liderado pelo premiê, passou a questionar o crescimento eleitoral das legendas de maioria árabe, alegando uma suposta interferência estrangeira no processo. Entretanto, não foram apresentadas provas públicas de fraude generalizada, e autoridades eleitorais israelenses afirmaram não ter identificado irregularidades sistemáticas capazes de comprometer a votação.
Com aproximadamente 90% dos votos apurados, a coalizão de Netanyahu projetava conquistar 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense, enquanto os partidos de oposição somavam 48 assentos. As legendas de maioria árabe alcançavam 19 vagas, resultado que ampliou sua importância nas negociações políticas. Para formar uma maioria parlamentar, são necessários pelo menos 61 deputados, número que nenhum dos principais blocos havia conseguido atingir isoladamente.
Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral
A contestação ganhou força depois que Netanyahu compartilhou nas redes sociais uma manifestação do Likud afirmando que a eleição teria sido prejudicada por irregularidades envolvendo organizações ligadas à mobilização de eleitores árabes. O partido passou a utilizar a expressão Ra’amgate para se referir às suspeitas e alegou que recursos provenientes do Catar e da Turquia teriam sido utilizados para influenciar a votação.
O crescimento da participação eleitoral dos cidadãos palestinos com nacionalidade israelense é considerado um dos principais fatores para a nova composição parlamentar. Diante desse cenário, o Likud argumenta que possíveis financiamentos estrangeiros precisam ser investigados antes da formação de um novo governo. As acusações, porém, não foram acompanhadas de documentos públicos que comprovassem o envolvimento dos países mencionados ou a existência de uma operação organizada para manipular o resultado eleitoral.
O governo do Catar rejeitou as acusações e afirmou que está sendo utilizado nas disputas políticas internas de Israel. A controvérsia também provocou manifestações de representantes da oposição, que acusam Netanyahu de tentar deslegitimar a participação dos eleitores árabes e enfraquecer a confiança nas instituições eleitorais.
Justiça determina investigação e oposição cobra respeito às urnas
O presidente do Comitê Central de Eleições de Israel, juiz Noam Sohlberg, determinou que o Shin Bet, serviço de inteligência interna, investigue suspeitas de financiamento estrangeiro e possível compra de votos. A apuração deverá apresentar conclusões antes de 4 de novembro, prazo previsto para a certificação dos resultados eleitorais. A abertura da investigação, entretanto, não significa que as denúncias tenham sido comprovadas.
A polícia israelense informou inicialmente que não havia elementos capazes de sustentar acusações de fraude eleitoral generalizada. Posteriormente, o comissário Daniel Levy declarou que eventuais irregularidades seriam investigadas de maneira imparcial, reafirmando o compromisso das autoridades com a integridade do processo democrático.
O líder oposicionista Gadi Eisenkot defendeu a investigação de qualquer suspeita, mas alertou que as denúncias não devem ser utilizadas para atrasar a posse dos parlamentares eleitos. Já Yair Golan, dirigente do partido Democratas, acusou Netanyahu de promover uma campanha de deslegitimação do resultado eleitoral, especialmente contra os cidadãos árabes.
Partidos árabes podem influenciar formação do próximo governo
Com o crescimento da representação parlamentar árabe, as legendas Ra’am e Lista Conjunta passaram a ocupar posição importante nas negociações para a formação de uma coalizão. Uma eventual articulação com setores da oposição poderia permitir a constituição de um governo sem Netanyahu, embora ainda existam divergências políticas entre os grupos envolvidos.
O dirigente Sami Abou Shehadeh, integrante da Lista Conjunta, também criticou a postura do primeiro-ministro e afirmou que as acusações podem comprometer o reconhecimento dos resultados. Paralelamente, quatro ativistas do Ra’am foram presos sob suspeita de oferecer dinheiro a eleitores em troca de votos. O partido confirmou o vínculo dos investigados, mas rejeitou as acusações.
A apuração eleitoral ainda estava em andamento nesta quinta-feira (29), e a divulgação oficial dos resultados estava prevista para 4 de novembro. Até lá, Israel permanece diante de um cenário de negociações parlamentares, investigações sobre denúncias específicas e disputas políticas relacionadas ao reconhecimento do resultado das urnas.
Fonte: Brasil de Fato
Fontes complementares: Agência Brasil | Associated Press



