O ano de 2025 entrou para a história como aquele em que a economia global e seu principal alicerce, o comércio internacional, foram abalados pelo impacto de um tarifaço sem precedentes imposto pelos Estados Unidos a mais de 180 países. No caso brasileiro, a resposta ao choque externo não se deu por meio do confronto, mas pela busca de diálogo e pela atuação coordenada entre empresas e diplomacia, estratégia que, segundo o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, resultou em vitórias importantes para o governo na condução da política externa.
A avaliação foi apresentada em artigo publicado no jornal Estado de S. Paulo, no qual Trabuco descreve como o Brasil enfrentou um dos episódios mais delicados do comércio mundial recente sem recorrer a retaliações ou declarações agressivas, optando por temperança, paciência e negociações graduais, com efeitos diretos sobre o desempenho exportador e sobre a preservação da posição do País no mercado internacional.
Tarifaço escalou e atingiu em cheio o acesso ao mercado americano
De acordo com o texto, a tarifa inicial de 10% imposta aos produtos brasileiros foi estabelecida em 5 de abril, durante o anúncio do chamado Liberation Day. O cenário se agravou poucos meses depois: em julho, a alíquota foi ampliada em mais 40%, criando, nas palavras do autor, “uma dificuldade quase intransponível para o acesso dos produtos brasileiros ao principal mercado consumidor do mundo”.
O impacto imediato do tarifaço provocou apreensão sobre o futuro da economia mundial. Mas o que poderia ter desencadeado uma crise prolongada abriu espaço para reações e rearranjos comerciais em diversos países. No Brasil, a escolha estratégica — ressaltada por Trabuco — foi evitar a escalada de tensões e apostar na construção de soluções práticas.
“Temperança” e “paciência” viraram ativos da diplomacia brasileira
Ao analisar a resposta brasileira, Trabuco destaca que “o que prevaleceu foram a temperança, a paciência e as declarações parcimoniosas”. Em vez de apostar na retaliação, o Brasil seguiu por um caminho de negociação e articulação com setores do próprio mercado americano.
Segundo ele, houve movimentos estratégicos coordenados de empresas exportadoras, importadores americanos de vários setores, além da atuação de autoridades e da diplomacia, o que permitiu ao País superar gradualmente o cenário adverso. O resultado veio no fim do ano: em novembro, o Brasil obteve a suspensão da taxa adicional de 40%, o que reabriu negociações para um retorno a condições de “plena normalidade” no comércio com os Estados Unidos.
Empresas ampliaram mercados e reforçaram competitividade dos produtos brasileiros
Mesmo diante das restrições no mercado americano, o artigo ressalta a capacidade de reação das companhias brasileiras, que buscaram alternativas para manter o ritmo de negócios. À medida que os EUA se tornaram um destino mais difícil, muitas empresas ampliaram vendas para países com os quais já possuíam relações comerciais e também abriram novas fronteiras.
Para Trabuco, essa expansão revelou a qualidade e a competitividade dos produtos nacionais, refletidas nos números do comércio exterior. Em 2025, a estimativa apresentada no texto é de recorde de exportações, com US$ 345 bilhões, enquanto a corrente comercial com o mundo deve alcançar US$ 629 bilhões, representando alta próxima de 10% em relação a 2024.
O desempenho, segundo o artigo, é sustentado pelo incremento das operações e pela abertura de mercados em 80 países nos últimos três anos. Até a primeira quinzena de dezembro, o saldo anual da balança comercial brasileira já ultrapassava US$ 61,1 bilhões.
Resiliência econômica e lição política em meio a um cenário “agressivamente desafiador”
Ao final, Trabuco interpreta o tarifaço como o “fato econômico mais relevante do ano” e sustenta que o Brasil demonstrou resiliência e competitividade em sua resposta. Para ele, o episódio também deixa uma lição: em momentos de pressão extrema, a humildade e a paciência podem ser decisivas para evitar decisões precipitadas que se transformem em crises prolongadas.
“O tarifaço deixa como lição a importância da humildade e da paciência na gestão de cenários agressivamente desafiadores, e assim evitar que a pressa do curto prazo vire um problema de longo prazo”, afirma o autor.
Originalmente publicado em Brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Brasil é o único país do Mercosul afetado por veto da UE à carne

Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar ao bloco europeu. Brasil tenta reverter decisão até setembro A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco transformou o país no único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias europeias. Enquanto o Brasil foi excluído…
-
PEC 6×1 tem semana decisiva no Senado com Alcolumbre sob pressão

Presidente do Senado reunirá líderes para discutir a tramitação; antes, disse que não acelerará a proposta e defendeu comissão especial O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve ceder à pressão e encaminhar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — diretamente para a…
-
Como uma falsa oficina se transformou em base para furtar combustível no DF

Três homens foram presos após alugar um imóvel às margens da BR-070, em Ceilândia, e escavar um túnel até uma tubulação da Petrobras; polícia estima que, na última semana, eles furtaram de 90 a 100 mil litros do material Durante três meses, uma oficina mecânica nunca abriu as portas à luz do dia, tampouco recebeu clientes.…






