Presidente do conselho do Bradesco destaca vitórias do governo Lula na política externa

O ano de 2025 entrou para a história como aquele em que a economia global e seu principal alicerce, o comércio internacional, foram abalados pelo impacto de um tarifaço sem precedentes imposto pelos Estados Unidos a mais de 180 países. No caso brasileiro, a resposta ao choque externo não se deu por meio do confronto, mas pela busca de diálogo e pela atuação coordenada entre empresas e diplomacia, estratégia que, segundo o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, resultou em vitórias importantes para o governo na condução da política externa.

Vote no Brasil 247 como melhor canal de notícias e jornalismo e melhor canal de política do Brasil no iBest 2025Vote agora

A avaliação foi apresentada em artigo publicado no jornal Estado de S. Paulo, no qual Trabuco descreve como o Brasil enfrentou um dos episódios mais delicados do comércio mundial recente sem recorrer a retaliações ou declarações agressivas, optando por temperança, paciência e negociações graduais, com efeitos diretos sobre o desempenho exportador e sobre a preservação da posição do País no mercado internacional.

Tarifaço escalou e atingiu em cheio o acesso ao mercado americano

De acordo com o texto, a tarifa inicial de 10% imposta aos produtos brasileiros foi estabelecida em 5 de abril, durante o anúncio do chamado Liberation Day. O cenário se agravou poucos meses depois: em julho, a alíquota foi ampliada em mais 40%, criando, nas palavras do autor, “uma dificuldade quase intransponível para o acesso dos produtos brasileiros ao principal mercado consumidor do mundo”.

O impacto imediato do tarifaço provocou apreensão sobre o futuro da economia mundial. Mas o que poderia ter desencadeado uma crise prolongada abriu espaço para reações e rearranjos comerciais em diversos países. No Brasil, a escolha estratégica — ressaltada por Trabuco — foi evitar a escalada de tensões e apostar na construção de soluções práticas.

“Temperança” e “paciência” viraram ativos da diplomacia brasileira

Ao analisar a resposta brasileira, Trabuco destaca que “o que prevaleceu foram a temperança, a paciência e as declarações parcimoniosas”. Em vez de apostar na retaliação, o Brasil seguiu por um caminho de negociação e articulação com setores do próprio mercado americano.

Segundo ele, houve movimentos estratégicos coordenados de empresas exportadoras, importadores americanos de vários setores, além da atuação de autoridades e da diplomacia, o que permitiu ao País superar gradualmente o cenário adverso. O resultado veio no fim do ano: em novembro, o Brasil obteve a suspensão da taxa adicional de 40%, o que reabriu negociações para um retorno a condições de “plena normalidade” no comércio com os Estados Unidos.

Empresas ampliaram mercados e reforçaram competitividade dos produtos brasileiros

Mesmo diante das restrições no mercado americano, o artigo ressalta a capacidade de reação das companhias brasileiras, que buscaram alternativas para manter o ritmo de negócios. À medida que os EUA se tornaram um destino mais difícil, muitas empresas ampliaram vendas para países com os quais já possuíam relações comerciais e também abriram novas fronteiras.

Para Trabuco, essa expansão revelou a qualidade e a competitividade dos produtos nacionais, refletidas nos números do comércio exterior. Em 2025, a estimativa apresentada no texto é de recorde de exportações, com US$ 345 bilhões, enquanto a corrente comercial com o mundo deve alcançar US$ 629 bilhões, representando alta próxima de 10% em relação a 2024.

O desempenho, segundo o artigo, é sustentado pelo incremento das operações e pela abertura de mercados em 80 países nos últimos três anos. Até a primeira quinzena de dezembro, o saldo anual da balança comercial brasileira já ultrapassava US$ 61,1 bilhões.

Resiliência econômica e lição política em meio a um cenário “agressivamente desafiador”

Ao final, Trabuco interpreta o tarifaço como o “fato econômico mais relevante do ano” e sustenta que o Brasil demonstrou resiliência e competitividade em sua resposta. Para ele, o episódio também deixa uma lição: em momentos de pressão extrema, a humildade e a paciência podem ser decisivas para evitar decisões precipitadas que se transformem em crises prolongadas.

“O tarifaço deixa como lição a importância da humildade e da paciência na gestão de cenários agressivamente desafiadores, e assim evitar que a pressa do curto prazo vire um problema de longo prazo”, afirma o autor.

Originalmente publicado em Brasil247

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Brasil é o único país do Mercosul afetado por veto da UE à carne

    Brasil é o único país do Mercosul afetado por veto da UE à carne

    Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar ao bloco europeu. Brasil tenta reverter decisão até setembro A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco transformou o país no único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias europeias. Enquanto o Brasil foi excluído…


  • PEC 6×1 tem semana decisiva no Senado com Alcolumbre sob pressão

    PEC 6×1 tem semana decisiva no Senado com Alcolumbre sob pressão

    Presidente do Senado reunirá líderes para discutir a tramitação; antes, disse que não acelerará a proposta e defendeu comissão especial O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve ceder à pressão e encaminhar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — diretamente para a…


  • Como uma falsa oficina se transformou em base para furtar combustível no DF

    Como uma falsa oficina se transformou em base para furtar combustível no DF

    Três homens foram presos após alugar um imóvel às margens da BR-070, em Ceilândia, e escavar um túnel até uma tubulação da Petrobras; polícia estima que, na última semana, eles furtaram de 90 a 100 mil litros do material Durante três meses, uma oficina mecânica nunca abriu as portas à luz do dia, tampouco recebeu clientes.…


Compartilhar: