Milhões de pessoas saíram às ruas neste sábado (28) em todos os 50 estados dos Estados Unidos para protestar contra as políticas do presidente Donald Trump, na maior mobilização do movimento “No Kings” (Sem Reis). Os organizadores estimam que mais de 9 milhões de pessoas participaram dos mais de 3.200 eventos planejados, superando as manifestações anteriores realizadas em junho e outubro do ano passado.
“Pesadelo reacionário”
Em Minneapolis, epicentro da ofensiva anti-imigração no início do ano, o cantor Bruce Springsteen reuniu uma multidão no estádio e cantou “Streets of Minneapolis”, música composta em homenagem a Renee Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos mortos por agentes da polícia de imigração (ICE).
“Sua coragem e determinação nos mostraram que isso ainda é a América, e que esse pesadelo reacionário e essas invasões de cidades americanas não serão tolerados”, declarou Springsteen do palco.
O governador de Minnesota, Tim Walz, agradeceu ao povo por se opor a um “ditador iniciante”, enquanto o senador Bernie Sanders afirmou: “Nunca aceitaremos um presidente que seja um mentiroso patológico, um cleptocrata e um narcisista que mina a Constituição dos EUA e o Estado de Direito todos os dias”.
“Ameaça existencial às liberdades”
Em Nova York, o ator Robert De Niro falou para dezenas de milhares de manifestantes na Times Square: “Outros presidentes já testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça tão existencial às nossas liberdades e segurança. Devemos detê-lo”.
Os protestos também se espalharam por Washington, Atlanta, Chicago, Houston, Denver, São Francisco e Filadélfia, além de cidades na Europa como Roma, Paris, Amsterdã e Madri. Em Washington, manifestantes carregavam cartazes com os dizeres “Abaixe a coroa, palhaço” e “A mudança de regime começa em casa”.
Guerra no Irã e política migratória
Além da crítica à política migratória e às operações brutais do ICE, os manifestantes protestam contra a participação dos EUA na guerra contra o Irã, que já dura quatro semanas e tem apresentado objetivos e prazos em constante mudança, além de baixas de militares americanos.
Os organizadores relatam um aumento no número de eventos anti-Trump e de pessoas se inscrevendo para votar em estados tradicionalmente republicanos como Idaho, Wyoming, Montana e Utah, às vésperas das eleições de meio de mandato previstas para novembro, quando todos os deputados e parte dos senadores serão renovados.
Aprovação de Trump em baixa
De acordo com a Reuters, os protestos acontecem em um momento em que a taxa de aprovação de Trump caiu para 36%, seu ponto mais baixo desde o retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.
O porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, Mike Marinella, criticou os democratas por apoiarem os protestos: “Esses comícios contra a América são onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema esquerda encontram um microfone”.
Enquanto milhões marchavam, Trump passou a tarde jogando golfe em seu clube privado na Flórida, simbolizando o abismo entre o presidente e os manifestantes que exigem o fim do que chamam de “monarquia” e a defesa da democracia americana.
Com informações do Vermelho
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