O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, fez duras críticas à extrema direita brasileira e ao governador Tarcísio de Freitas durante entrevista ao Metrópoles, na qual também apresentou diretrizes de sua possível gestão estadual.
Na conversa, Haddad foi contundente ao comentar o cenário político nacional e a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. “O Flávio vai implantar no Brasil uma cleptocracia. Ele só lidou com bandido durante o governo do pai dele”, afirmou.
Ataques à extrema direita e alinhamento com Trump
Haddad também criticou a postura de Tarcísio de Freitas em relação aos Estados Unidos e ao presidente Donald Trump, apontando submissão política e prejuízos à economia paulista.
Segundo ele, o governador apoiou medidas contrárias aos interesses do estado. “Ele apoiou o tarifaço do Trump, falou que tinha que dar alguma coisa pro Trump”, disse. O ex-ministro relacionou essa postura ao baixo crescimento econômico paulista: “São Paulo cresceu 0,5%. O Brasil cresceu 2,3%”.
Para Haddad, o alinhamento automático com Washington fragiliza o Brasil. “São Paulo é um estado muito forte. Ele não pode enfraquecer o Brasil na mesa de negociação com Trump, como ele fez”, declarou.
Críticas à gestão estadual
O pré-candidato classificou o governo Tarcísio como ineficiente e desconectado da realidade paulista. Ele apontou falhas em áreas como educação, segurança pública e finanças.
“Esse governo não tem nada a ver com São Paulo. É um governo que não entregou nada”, disse. Haddad afirmou ainda que o estado perdeu dinamismo econômico e capacidade de investimento.
Ele também acusou o governador de falta de compromisso com o território paulista. “Quando você não tem residência fixa, você não mergulha no trabalho”, afirmou.
Promessa de combate à corrupção
Haddad afirmou que pretende revisar contratos e investigar possíveis irregularidades caso seja eleito. Ele citou denúncias envolvendo diferentes áreas do governo estadual e disse que há “muita coisa para ser explicada”.
“Eu vou passar a limpo o estado de São Paulo, porque tem muita coisa que não tem explicação”, declarou.
O ex-prefeito destacou sua experiência anterior no combate a esquemas ilegais na capital paulista. “Quantas máfias eu desbaratei? Máfia do ISS, da Controlar, da Feira da Madrugada”, afirmou.
Segurança pública e PCC
Na área de segurança, Haddad criticou a condução do governo estadual e defendeu maior integração entre as instituições. Ele mencionou investigações envolvendo a Polícia Militar e o crime organizado.
“Você descobre que o teu comandante tá ligado ao crime. Como é que pode um governador fazer um negócio desse?”, questionou.
O petista defendeu a criação de um gabinete integrado de combate ao crime organizado, com participação de órgãos federais e estaduais. “Será que não é o caso de montar um gabinete com todas as instituições cooperando entre si?”, disse.
Educação e escolas cívico-militares
Haddad também criticou o modelo de escolas cívico-militares adotado no estado. Segundo ele, não há evidências de melhora no ensino.
“Não há nenhuma evidência empírica de que ele seja bom”, afirmou. O ex-ministro disse que respeitará decisões das comunidades, mas não pretende expandir o modelo.
Ele ainda acusou o governo estadual de reduzir investimentos na educação. “Ele tirou dinheiro da educação e os resultados estão aí, mostrando que São Paulo tá indo para trás”, declarou.
Privatizações e custo de vida
Outro ponto criticado foi a política de privatizações, especialmente no caso da Sabesp. Haddad afirmou que a venda da empresa resultou em aumento de tarifas e perda de controle público.
“Ele falou que baixar o preço da água e aumentou. Onde é que foi o dinheiro da Sabesp?”, questionou.
O petista também criticou a lógica de venda de ativos públicos. “Essa turma que quer voltar pro poder federal é para vender as coisas”, disse.
Ampliação de alianças e candidatura
Sobre sua candidatura, Haddad afirmou que foi convencido pelo presidente Lula a disputar o governo paulista após análise da situação do estado.
“O Lula me convenceu mostrando o governo Tarcísio em números”, disse.
Ele também defendeu a construção de uma frente ampla, incluindo setores de centro e centro-direita. “Se eu puder ampliar, eu amplio. Nessa quadra histórica a gente tem que ampliar”, afirmou.
Haddad sinalizou ainda que pretende ter uma mulher como vice em sua chapa. “Se depender de mim, nós vamos ter uma mulher na vice-governadora”, concluiu.
Com informações do Brasil247
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