Lula participa da Cúpula do Mercosul em momento decisivo para a integração regional

Presidente viaja a Assunção após Brasil anunciar aporte de US$ 100 milhões ao FOCEM e defender fortalecimento do bloco diante dos desafios globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (30), em Assunção, da 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, Países Associados e Convidados Especiais, em um momento considerado decisivo para o futuro da integração sul-americana. A agenda ocorre um dia após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defender o fortalecimento do bloco, anunciar um novo aporte brasileiro ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM) e alertar para os riscos da fragmentação regional.

Segundo a agenda oficial da Presidência da República, Lula embarca às 8h35 da Base Aérea de Brasília, com chegada prevista às 10h10 ao Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. Às 10h30, o presidente participa da sessão plenária da 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada no Centro de Convenções da Conmebol. Às 13h15, os chefes de Estado participam da fotografia oficial do encontro.

Na segunda-feira, durante a 68ª Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), Mauro Vieira afirmou que o Mercosul vive um “momento paradoxal”, no qual os países precisam decidir entre aprofundar a integração ou seguir caminhos unilaterais que podem comprometer o futuro do bloco.

“Temos que decidir se seguimos unidos obtendo ganhos expressivos para nossas populações ou se optamos por regredir para um cenário anterior ao do Tratado de Assunção”, declarou o chanceler.

O discurso reforçou a estratégia do governo brasileiro de fortalecer o Mercosul em um contexto internacional marcado pelo avanço do protecionismo e pela reorganização das cadeias globais de comércio. Vieira destacou que o intercâmbio comercial entre os países do bloco passou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para aproximadamente US$ 51 bilhões em 2025, além dos avanços recentes nas negociações comerciais com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Cingapura.

Outro anúncio de destaque foi o compromisso do Brasil de aportar US$ 100 milhões anuais ao novo ciclo do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), principal instrumento de financiamento de projetos de infraestrutura e redução das desigualdades entre os países-membros.

“O Brasil, maior contribuinte individual do FOCEM, atribui especial relevância à construção de um novo ciclo de cooperação. Um FOCEM-II deve assegurar maior previsibilidade financeira, aperfeiçoar os mecanismos de gestão dos projetos e incorporar, na condição de beneficiário, nosso novo Estado Parte, o Estado Plurinacional da Bolívia”, afirmou Vieira.

A expectativa para a reunião de chefes de Estado é que sejam consolidados novos passos na agenda externa do Mercosul, incluindo o lançamento oficial das negociações de um acordo comercial com o Japão, o avanço das tratativas com o Canadá, o início das negociações com o Vietnã e a ampliação do acordo comercial preferencial com a Índia.

A participação de Lula na cúpula reafirma a prioridade atribuída pelo governo brasileiro à integração regional como instrumento de desenvolvimento econômico, fortalecimento da indústria, expansão do comércio e ampliação da influência internacional da América do Sul.

Ao encerrar seu discurso em Assunção, Mauro Vieira sintetizou a visão brasileira para o futuro do bloco.

“A noção obsoleta, hoje, não é a cooperação, é o isolamento. A proposição extravagante, hoje, não é a da integração, é a da fragmentação”, concluiu.

Fonte: Brasil247

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