Pesquisa sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha mostra que 54% das mulheres que já se relacionaram com homens afirmam ter sido vítimas de algum tipo de violência.
Mais da metade das brasileiras que já tiveram relacionamentos com homens (54%) afirma ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. O dado faz parte da pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (29).
Em contraste, apenas 11% dos homens que já se relacionaram com mulheres afirmam ter cometido agressões contra parceiras ou ex-parceiras. A diferença entre os relatos evidencia uma percepção distinta sobre a ocorrência da violência dentro dos relacionamentos.
Violência psicológica é a mais relatada
Entre os tipos de violência mencionados pelas mulheres, a violência psicológica aparece em primeiro lugar, com 42% dos relatos. Em seguida está a violência física, citada por 25% das entrevistadas.
O levantamento também aponta que muitas situações de violência ainda não são reconhecidas como agressões pelos próprios homens. 77% das mulheres acreditam que os homens ainda não compreendem que determinadas atitudes configuram violência.
Outro dado chama atenção: 82% das mulheres consideram que muitos homens se omitem diante de agressões cometidas por outros homens.
Pesquisa marca duas décadas da Lei Maria da Penha
O estudo foi elaborado no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha, legislação sancionada em 2006 e considerada um dos principais marcos brasileiros no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, buscando avaliar como a sociedade brasileira percebe a violência contra as mulheres e os avanços e desafios relacionados à legislação.
Os resultados mostram que, apesar dos avanços obtidos nas últimas duas décadas, a violência praticada dentro de relacionamentos continua sendo uma realidade significativa para as mulheres brasileiras.
Diferença entre percepção e reconhecimento
A distância entre os relatos de mulheres e homens também revela um dos desafios para o enfrentamento da violência: situações que são identificadas pelas vítimas como agressões nem sempre são reconhecidas da mesma maneira por quem as pratica.
Para especialistas e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres, ampliar a informação sobre os diferentes tipos de violência é fundamental para fortalecer a prevenção e facilitar o acesso das vítimas à rede de proteção.
Os dados reforçam ainda a importância de combater não apenas a violência física, mas também comportamentos de controle, humilhação, ameaças e outras formas de violência psicológica que podem permanecer invisíveis durante muito tempo.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Instituto Patrícia Galvão; Instituto Locomotiva; Agência Brasil.
📰 Edição: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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