Pontífice afirmou que valores do Evangelho estão ligados à compreensão e à compaixão, e não ao ódio e à divisão; declaração ocorreu ao responder pergunta sobre o avanço de grupos de extrema direita na Alemanha.
Ceilândia em Alerta – O Papa Leão XIV afirmou que a associação entre determinadas interpretações religiosas e posições de extrema direita não representa, em sua avaliação, uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi feita na segunda-feira (28), durante entrevista concedida no voo de retorno ao Vaticano, após uma visita de quatro dias à França.
A manifestação ocorreu depois de uma pergunta de um jornalista alemão sobre a diminuição do número de fiéis no país e o crescimento de grupos políticos classificados como de extrema direita.
Leão XIV ponderou que seria necessário analisar com cuidado se existe relação direta entre os dois fenômenos. Ao abordar especificamente a utilização da religião por movimentos extremistas, lembrou que representantes das igrejas Católica e Protestante na Alemanha já se posicionaram contra essa associação.
“Os valores do Evangelho não dizem respeito ao ódio e à divisão, mas à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento”, declarou o pontífice.
O papa também defendeu que as igrejas estimulem a participação dos cidadãos na vida pública com atenção ao bem comum e contribuam para enfrentar discursos extremistas.
Declaração ocorreu em contexto alemão
A pergunta dirigida a Leão XIV estava relacionada especificamente à situação política e religiosa da Alemanha, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD) ampliou sua presença eleitoral nos últimos anos.
Nas eleições federais de 2025, a legenda recebeu 20,8% dos votos e terminou na segunda colocação. O partido também obteve resultados expressivos em eleições estaduais realizadas posteriormente.
O crescimento da AfD provocou debates dentro das próprias comunidades cristãs alemãs sobre nacionalismo, imigração e a utilização de referências religiosas no discurso político.
As declarações do papa, entretanto, não foram dirigidas especificamente à política brasileira nem mencionaram Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro ou o bolsonarismo. A associação entre a manifestação de Leão XIV e a disputa política brasileira é uma interpretação apresentada pelo Portal Vermelho na reportagem publicada nesta quarta-feira (30).
Essa distinção é importante porque o pontífice respondia diretamente a uma pergunta sobre a Alemanha, embora sua defesa de valores cristãos contrários ao ódio e à divisão tenha alcance mais amplo.
Papa também aborda imigração e gastos militares
Durante sua passagem pela França, Leão XIV também falou sobre imigração e conflitos internacionais.
O pontífice defendeu políticas de acolhimento e integração de imigrantes, além da criação de caminhos legais e seguros para os fluxos migratórios.
Outro tema abordado foi o aumento dos investimentos militares em diferentes países. O papa advertiu contra a ideia de que o rearmamento seja, por si só, uma resposta para as tensões internacionais.
As manifestações mantêm temas recorrentes da diplomacia da Santa Sé, como defesa da paz, diálogo entre diferentes grupos, proteção da dignidade humana e busca de soluções negociadas para conflitos.
No Brasil, religião e política ganharam espaço adicional na reta final da campanha presidencial de 2026, especialmente após a controvérsia envolvendo publicações que atribuíram incorretamente a Flávio Bolsonaro uma proposta de retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
O episódio brasileiro, porém, não foi mencionado pelo papa na declaração sobre a extrema direita alemã. Relacionar diretamente sua fala à atual campanha presidencial brasileira ultrapassaria o conteúdo específico da manifestação feita pelo pontífice.
🔍 Fonte: Portal Vermelho.



