Ao difundir mentiras pró-Trump, o dono do X desfez a ideia de neutralidade das redes sociais. Governos ao redor do mundo precisam regulamentá-las com mais rigor – e o Brasil já mostrou o caminho.

Os Estados Unidos foram às urnas, e, além de Trump, outro grande vencedor emergiu: Elon Musk. Isso não é um bom presságio, nem para os EUA, nem para o Brasil, nem para o mundo. Antes aclamado por seus avanços pioneiros na mobilidade elétrica (Tesla), no acesso à internet (Starlink) e nas viagens espaciais (SpaceX), Musk agora se tornou um teórico da conspiração, que espalha sem filtro mentiras no X em favor de Donald Trump e de grupos de extrema direita.
O Brasil deveria interpretar isso como um alerta: Musk também está influenciando a política brasileira por meio do X. Quando ele se recusou a bloquear contas que, segundo o ministro do STF Alexandre de Moraes, desestabilizam a democracia, o X foi bloqueado por seis semanas. Em resposta, Musk chamou o juiz de “criminoso” e “ditatorial” – mas é ele, o homem mais rico do mundo, que está manipulando eleições.
A questão nem são os 118 milhões de dólares que Musk doou a Trump através do America PAC – doações de empresários também vão para os democratas. Isso apenas revela o quanto o sistema é falho: só ganha quem investe milhões de dólares, o que contradiz a essência da democracia. Cada grande doador tem, evidentemente, seus próprios interesses econômicos, que raramente coincidem com os da maioria.
A campanha eleitoral deste ano nos EUA foi mais que nunca um espetáculo, com drama, reviravoltas, muita emoção, música e celebridades. Quem se beneficia são as emissoras de TV e rádio, além das gigantes de internet como Google, Meta, ByteDance (TikTok) e o X, de Musk. Quanto mais o X entra em polêmica, mais Musk lucra, e ele contribuiu muito para isso.
Musk, que possui Síndrome de Asperger, destaca-se por ideias geniais e por vezes megalomaníacas (como a colonização de Marte), mas também está cada vez mais desconectado da realidade. Musk afirma que comprou o X por 44 bilhões de dólares para salvar a liberdade de expressão. Para ele, no entanto, essa liberdade significa espalhar desinformação irresponsável. Ele difundiu, por exemplo, a teoria do “Grande Substituição”, segundo a qual haveria um plano governamental para substituir a população branca dos EUA por pessoas da América Latina, África e Ásia.
Conteúdo extremista em alta
Desde que Musk assumiu o controle da rede social, o algoritmo do X começou a despejar cada vez mais conteúdo desse tipo nas timelines dos usuários: bizarros, absurdos, repletos de ressentimento e ódio. O feed pessoal de Musk se transformou num megafone pró-Trump, onde ele constantemente reproduziu slogans do movimento Maga (Make America Great Again) para seus 203 milhões de seguidores.
Para ampliar seu alcance, Musk contratou, em julho, cerca de 80 engenheiros. Como resultado, o engajamento na conta de Musk no X aumentou drasticamente. As visualizações de suas postagens cresceram 138%, os retuítes, 238%, e as curtidas, 186%.
Segundo uma pesquisa da ONG Center for Countering Digital Hate (CCDH), as postagens políticas de Musk foram exibidas mais de 17 bilhões de vezes nas timelines dos usuários. Se fossem anúncios, valeriam cerca de 24 milhões de dólares. Ainda conforme o CCDH, 87 das postagens de Musk sobre as eleições nos EUA eram falsas ou enganosas, incluindo a alegação de que os democratas trariam milhões de imigrantes sem documentos para obter seus votos. Essa mentira foi reproduzida 3 bilhões de vezes.
Curiosamente, nenhuma dessas 87 postagens foi sinalizada com as chamadas Community Notes. Essas notas existem para permitir que os usuários “adicionem contexto a postagens potencialmente enganosas”.
Musk e seus fãs gostam de afirmar que o X é neutro, mas estudos mostram que o conteúdo pró-Maga se tornou viral muito mais frequentemente e alcançou mais pessoas do que outros conteúdos. Provavelmente o mesmo acontecerá em futuras eleições no Brasil.

As origens da mudança de rumo
O mergulho de Musk no universo Maga e no bolsonarismo tem raízes pessoais. Seu filho, nascido em 2004 como Xavier Alexander Musk, anunciou sua mudança de gênero e nome há dois anos. Desde então, Musk tem se desentendido com Vivian Jenna Wilson. “Perdi meu filho “, disse Musk, acrescentando que ele estaria “morto”.
Segundo o próprio Musk, foi essa experiência que o levou a prometer destruir o “vírus do woke”. Desde então, ele dissemina teses questionáveis sobre pessoas trans e aboliu as regras de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) na Tesla – chamando-as, numa inversão dos fatos, de “racistas” e “sexistas”.
É surpreendente que alguém como Musk, cujos produtos exigem precisão científica, adere a teorias da conspiração. Torna-se mais compreensível quando se entende que as empresas de Musk mantêm contratos grandes e lucrativos com o governo americano. Ao mesmo tempo, enfrentam investigações em pelo menos 20 casos, incluindo a segurança dos veículos da Tesla e os impactos ambientais dos foguetes da SpaceX.
Trump prometeu ao seu novo aliado nomeá-lo chefe de uma nova “comissão de eficiência governamental”. Caso Musk conquiste o cargo prometido por Trump, ele terá o poder de regulamentar justamente as agências que fiscalizam suas empresas por violações legais. Um conflito de interesses absurdo – mas não é surpreendente: o capitalista apoia os políticos que o ajudam a atingir seus objetivos.
Nestas eleições, o próprio Musk destruiu a ideia de que redes sociais como o X são neutras. Por muito tempo, essas plataformas gozaram de uma imunidade para disseminar mentiras que corroem o debate público saudável. Está na hora de os governos regulamentarem com mais rigor o poder oligopolista que um punhado de bilionários da tecnologia, como Musk, exerce sobre nossa informação diária. O Brasil e Alexandre de Moraes já mostraram como isso pode ser feito.
Com informações do Diário do Centro do Mundo
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