Um dia após deixar a Presidência, cargo que assumiu interinamente duas vezes em um mês de governo, o vice-presidente Hamilton Mourão deu mais uma entrevista, desta vez ao jornal O Globo, veículo que se coloca em posição frontal ao bolsonarismo. Exato inverso de Jair Bolsonaro, que tem medo de dar entrevistas, Mourão continua a ostentar curiosa desenvoltura política associada a protagonismo para um vice e se reapresenta em modo contínuo como uma espécie de “poder moderador” do governo de um déspota não esclarecido, fragilizado e confinado em um quarto de hospital.
A reportagem do jornal da família Marinho destaca que “no estilo que vem lhe dando notoriedade, Mourão não fugiu de assuntos polêmicos, nem escondeu a contrariedade com o presidente Jair Bolsonaro em relação a alguns temas.”
Sobre seu perfil moderado ele disse: “isso não pode ser colocado dessa forma. Cada um de nós tem o seu estilo de agir. O presidente Bolsonaro tem o estilo dele, característico. Ele construiu uma vida política de 30 anos em cima disso aí. É totalmente diferente de mim. Eu tive uma vida dentro do Exército, ocupei funções que me exigiram lidar com uma gama de pessoas totalmente distintas, comandei muita gente, então me leva a ter um estilo diferente de lidar. Não é uma questão de um é o antípoda do outro, como fica querendo ser caracterizado. Muito pelo contrário. Ele tem uma experiência e eu tenho outra, que se retrata depois na forma como a gente conduz.”
Sobre a relação dele com Bolsonaro, o general esclarece: “as únicas vezes que o presidente conversou comigo foram durante a campanha eleitoral. Obviamente porque eu não sou político, então o que tenho que falar, pego e falo. Eu falei determinadas coisas e, para quem está concorrendo, determinadas verdades não podem ser ditas. Foi aí que ele me disse assim: ‘Você não entende de política, então vai por mim que você vai bem’.”
Mourão ainda comenta sobre o “gerenciamento” do governo: “a Constituição diz que o vice-presidente tem que ficar em condições de cumprir missões eventuais que o presidente lhe designar. Agora é que vão começar a surgir essas tarefas, a partir do momento em que o governo começar a exercer as suas atividades e começarem a surgir alguns pontos que necessitem de uma coordenação maior e aí ele pode chegar para mim e dizer: ‘Preciso que você coordene isso, me represente naquilo, que você estude esse assunto’.”
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