A Organização das Nações Unidas (ONU) deu início ao processo de escolha do próximo secretário-geral em um cenário marcado por conflitos internacionais, questionamentos sobre a atuação do organismo e desafios ao multilateralismo. O mandato do atual secretário-geral, António Guterres, termina em 31 de dezembro de 2026, e o sucessor assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2027. As informações são do Metrópoles.
Na última quinta-feira (30), o Conselho de Segurança realizou a primeira votação informal e secreta, conhecida como straw poll, para medir o apoio aos candidatos que disputam a sucessão.
Como funciona a escolha
O processo começa no Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 países, entre eles os cinco membros permanentes com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Durante as consultas informais, os integrantes indicam se apoiam, rejeitam ou permanecem neutros em relação a cada candidato. Para avançar, é necessário obter pelo menos nove votos favoráveis e não sofrer veto de nenhum dos membros permanentes.
Após a definição de um nome, o Conselho encaminha a recomendação à Assembleia Geral da ONU, formada pelos 193 países-membros, responsável pela votação formal que confirma a escolha. O mandato do secretário-geral é de cinco anos, com possibilidade de uma recondução.
Entre os nomes apontados como possíveis sucessores de António Guterres estão a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Rebeca Grynspan, a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa, a representante da Guiana na ONU Carolyn Rodrigues-Birkett e o ex-presidente do Senegal Macky Sall.
Desafios para a nova gestão
A escolha do próximo secretário-geral ocorre em um momento em que a ONU enfrenta dificuldades para mediar conflitos e construir consensos diante de crises internacionais, como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, além dos conflitos no Sudão e no Haiti.
Para o cientista político Gustavo Menon, a eleição representa uma oportunidade para que a organização recupere parte de sua legitimidade em um contexto de enfraquecimento do multilateralismo e aumento das disputas entre as grandes potências.
Segundo o especialista, o perfil da futura liderança poderá indicar os rumos que a comunidade internacional pretende dar à organização nos próximos anos, seja com uma agenda voltada para reformas institucionais, fortalecimento da diplomacia ou maior aproximação com determinados blocos de poder.
Críticas à atuação da ONU
Criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, a ONU continua sendo o principal espaço de diálogo entre os países, mas tem enfrentado críticas pela dificuldade de adotar respostas efetivas em temas relacionados à paz e à segurança internacional.
Grande parte das limitações está ligada ao funcionamento do Conselho de Segurança, onde qualquer um dos cinco membros permanentes pode impedir a aprovação de resoluções por meio do direito de veto.
Apesar desse cenário, Menon avalia que a organização mantém papel relevante em áreas como ajuda humanitária, cooperação internacional e mediação diplomática, embora defenda a necessidade de reformas para adequar sua estrutura à atual configuração geopolítica mundial.
Perfil esperado para o próximo secretário-geral
O secretário-geral da ONU é responsável por conduzir negociações, representar politicamente a organização e buscar consensos entre os Estados-membros, mas não possui poder para impor decisões aos países nem substituir o Conselho de Segurança.
Na avaliação de Gustavo Menon, o próximo ocupante do cargo precisará reunir experiência em negociações multilaterais, capacidade de diálogo, habilidade para conduzir reformas institucionais e sensibilidade diante das crises humanitárias, além de manter equilíbrio nas relações entre as grandes potências e os países do Sul Global.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



