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Senado aprova PEC da Segurança Pública por unanimidade e abre caminho para novo ministério de Lula

Vista panorâmica do plenário do Senado Federal, em Brasília, durante sessão legislativa. O ambiente apresenta carpete azul, bancadas de madeira, cadeiras parcialmente vazias, parlamentares e servidores, além de painéis eletrônicos com informações sobre votações.
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa. Parlamentares aprovaram por unanimidade, em dois turnos, a PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo Lula. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado.

Proposta aprovada em dois turnos amplia a integração das forças policiais, fortalece o combate às facções criminosas e garante recursos para estados e municípios.

Ceilândia em Alerta – O Senado Federal aprovou, na noite de terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, uma das principais prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação ocorreu em dois turnos e terminou sem votos contrários, consolidando um acordo político que permitirá a promulgação da proposta pelo Congresso Nacional.

No primeiro turno, o texto recebeu 73 votos favoráveis e nenhum contrário. Na segunda votação, foram 75 votos a favor e nenhum contra, superando o mínimo de 49 votos exigido para a aprovação de mudanças constitucionais no Senado.

A aprovação é considerada uma vitória política do governo Lula, responsável pela apresentação da proposta. Como o Senado manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, a PEC não precisará retornar aos deputados e seguirá diretamente para promulgação.

O principal objetivo da medida é reorganizar a atuação das instituições de segurança pública, ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas.

A proposta também estabelece condições institucionais para a criação do Ministério da Segurança Pública, compromisso assumido por Lula durante a campanha eleitoral.

PEC fortalece combate às facções e amplia atuação federal

Uma das principais mudanças é a inclusão expressa do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal. O sistema deverá organizar a cooperação entre diferentes instituições responsáveis pela prevenção da violência, investigação criminal e execução penal.

A medida busca superar dificuldades de articulação entre órgãos federais, estaduais e municipais, permitindo o compartilhamento de informações e a realização de operações integradas.

A PEC também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e prevê mecanismos mais rigorosos de enfrentamento às facções criminosas e milícias.

Entre as medidas estão regras mais severas para lideranças dessas organizações, incluindo restrições à progressão de regime e cumprimento de penas em estabelecimentos de segurança máxima.

O texto contempla ainda instrumentos de combate ao patrimônio obtido por atividades criminosas, responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas em esquemas ilegais e proteção a denunciantes e seus familiares.

Para o ex-ouvidor das polícias de São Paulo Benedito Mariano, ouvido pelo Brasil de Fato, o fortalecimento da coordenação nacional poderá melhorar o enfrentamento financeiro das organizações criminosas.

Segundo ele, combater as estruturas econômicas que sustentam as facções é fundamental para reduzir a violência e recuperar territórios dominados pelo crime organizado.

Redução da maioridade penal fica fora da proposta

A votação foi antecedida por divergências sobre a possibilidade de reduzir a maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos.

Parlamentares da oposição defenderam alterações para permitir a responsabilização criminal de adolescentes a partir dos 16 anos, com redução para 14 anos em determinadas situações envolvendo crimes graves.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou uma emenda com essa finalidade. Já o senador Camilo Santana (PT-CE) propôs manter a regra geral de 18 anos, admitindo a redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos.

O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), decidiu não incorporar as propostas ao texto principal. Ele argumentou que a discussão sobre a maioridade penal envolve questões jurídicas e constitucionais específicas, que devem ser examinadas separadamente.

Por 38 votos a 36, os senadores aprovaram o encaminhamento que retirou essas emendas da votação principal.

A decisão evitou alterações que obrigariam a PEC a retornar à Câmara dos Deputados, permitindo sua aprovação definitiva no Senado.

O debate sobre a redução da maioridade penal poderá continuar por meio de propostas legislativas independentes.

Estados e municípios terão repasses obrigatórios

Outro ponto importante da PEC é o fortalecimento do financiamento da segurança pública.

O texto determina que 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) sejam repassados pela União aos estados e municípios, observadas as condições previstas na proposta.

Também estabelece a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, vinculado às receitas do pré-sal, para fundos da área de segurança.

A intenção é proporcionar maior previsibilidade orçamentária e garantir recursos permanentes para políticas de prevenção, investigação e enfrentamento ao crime.

A proposta ainda permite a criação de polícias municipais de natureza civil, responsáveis por atividades de policiamento ostensivo e comunitário, sob controle externo do Ministério Público.

Essas instituições deverão atuar conforme as competências estabelecidas na Constituição e na legislação aplicável.

Lula poderá criar Ministério da Segurança Pública

Com a aprovação da PEC, o governo federal poderá avançar na proposta de criação de uma pasta exclusiva para a segurança pública, atualmente vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A nova estrutura é defendida pelo presidente Lula como instrumento para ampliar a coordenação nacional das políticas de enfrentamento à criminalidade.

A criação do ministério, entretanto, dependerá de atos administrativos e normativos próprios. A aprovação da PEC não significa que a nova pasta já esteja oficialmente instalada.

O próximo passo será a promulgação da emenda constitucional pelo Congresso Nacional, em ato conduzido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, o texto não depende de sanção presidencial.

A aprovação representa uma mudança importante na organização da segurança pública brasileira. Seus resultados, porém, dependerão da regulamentação das novas regras, da aplicação dos recursos e da capacidade de cooperação entre os diferentes níveis de governo.


Fonte: Brasil de Fato

Fontes complementares: Agência Brasil | Secretaria de Relações Institucionais

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