Abstenção eleitoral superou 33 milhões de pessoas no primeiro turno; presidente pede à campanha maior mobilização nos 20 dias que antecedem a nova votação.
Ceilândia em Alerta – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que sua campanha deverá ampliar a mobilização para tentar atrair parte dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A abstenção eleitoral atingiu 33,4 milhões de brasileiros, equivalentes a 21,08% do eleitorado, e passou a ocupar espaço na estratégia do candidato para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) em 25 de outubro.
Durante uma reunião da coordenação de campanha, Lula questionou os motivos que levaram milhões de brasileiros a não participar da primeira votação e afirmou que sua equipe precisa buscar formas de recuperar o interesse desse eleitorado.
O presidente também pediu que seus aliados concentrem a avaliação do resultado nos pontos que podem ser modificados pela própria campanha, em vez de atribuir o desempenho no primeiro turno exclusivamente a fatores externos.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois candidatos ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Abstenção eleitoral supera 33 milhões no primeiro turno
A abstenção eleitoral chegou a 21,08% no domingo (4). Dos aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a participar da eleição, cerca de 125,2 milhões compareceram às urnas.
Segundo a Agência Brasil, foi o maior índice de ausência em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998, quando a abstenção chegou a 21,5%.
Apesar de Lula mencionar aproximadamente 30 milhões de pessoas durante a reunião, os dados oficiais apontam 33,4 milhões de ausentes.
Esse contingente não constitui um bloco eleitoral uniforme e não é possível determinar antecipadamente como essas pessoas votariam caso compareçam ao segundo turno. A ausência no primeiro turno também não impede a participação na nova votação: quem estiver com o título regular poderá votar normalmente em 25 de outubro.
Lula afirmou que considera responsabilidade da campanha tentar convencer essas pessoas a participar do processo eleitoral e pediu maior mobilização durante os 20 dias entre as duas votações.
Campanha prevê debates e maior presença nas ruas
Na reunião, Lula também afirmou que pretende intensificar sua participação em debates na televisão, entrevistas em rádios, redes sociais e atividades de rua durante o segundo turno.
O candidato mencionou ainda a intenção de participar de atos no Ceará, Piauí, Bahia e São Paulo. Também disse que pretende visitar o Rio Grande do Norte, onde Cadu Xavier (PT) disputa o segundo turno para o governo estadual.
Ao analisar a nova etapa da eleição, Lula recordou a disputa presidencial de 2006 contra Geraldo Alckmin. Naquele ano, o petista ampliou sua votação entre os dois turnos, mas reconheceu que o cenário político atual é diferente.
O desempenho registrado em uma eleição anterior não permite antecipar o comportamento dos eleitores em 2026. A composição das candidaturas, o contexto político e econômico e o próprio eleitorado são diferentes.
Além da mobilização eleitoral, Lula indicou que pretende colocar temas como segurança pública, economia e mudanças no Judiciário no debate da campanha. Na área de segurança, voltou a defender a proposta de emenda à Constituição apresentada pelo governo para ampliar a participação da União no enfrentamento ao crime organizado.
O presidente também defendeu discutir mudanças nos critérios para escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a possibilidade de estabelecimento de mandatos para os integrantes da Corte. Qualquer alteração desse tipo dependeria de mudanças constitucionais e da aprovação do Congresso Nacional.
O segundo turno presidencial será realizado em 25 de outubro. Até lá, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro terão pouco menos de três semanas para apresentar propostas, buscar os votos destinados a outras candidaturas no primeiro turno e tentar ampliar o comparecimento às urnas.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Agência Brasil.



