Povos de terreiro na educação são tema do terceiro episódio do Vozes e Territórios, que aborda juventude, tradição de matriz africana, racismo e transmissão de conhecimentos entre gerações.
Ceilândia em Alerta – Ancestralidade, formação das novas gerações e combate ao racismo estão no centro do terceiro episódio do podcast Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios. Apresentado por Iyá Vera Soares, o programa recebe a jornalista e professora Maria Helena para uma conversa sobre a presença dos povos de terreiro na educação e os desafios para levar os conhecimentos de matriz africana às escolas e universidades.
Durante a entrevista, Maria Helena defende que o contato de crianças e jovens com a história e a visão de mundo das tradições de matriz africana pode contribuir para enfrentar preconceitos e ampliar a representatividade nos ambientes educacionais.
A jornalista também relaciona a formação dos jovens aos espaços onde vivem e às referências que encontram durante a infância. Na avaliação da entrevistada, a ausência de sua história e de seus valores nos espaços de educação pode dificultar a construção de referências sobre identidade e pertencimento.
O episódio integra uma série de 12 programas voltados à história, aos saberes, à espiritualidade, à cultura e às lutas da população negra no Rio Grande do Sul.
Povos de terreiro na educação e transmissão de saberes
A participação dos povos de terreiro na educação não se limita, segundo Maria Helena, aos ambientes formais de ensino. Dentro das comunidades, a convivência cotidiana também funciona como espaço de formação e transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.
Crianças acompanham os mais velhos, participam das atividades coletivas e aprendem valores relacionados ao cuidado, respeito, pertencimento e responsabilidade com a comunidade.
Maria Helena cita como exemplo os momentos em que crianças e adultos se reúnem para compartilhar alimentos. Para ela, essas práticas também ajudam a transmitir valores e demonstram às novas gerações que o terreiro pode funcionar como espaço comunitário de acolhimento e convivência.
A própria trajetória da jornalista está relacionada a essa experiência. Criada dentro de um terreiro, ela afirma que a convivência com as tradições de matriz africana contribuiu para sua formação e para a maneira como compreende as relações sociais.
No podcast, a entrevistada defende ainda a necessidade de encontrar equilíbrio entre os conhecimentos transmitidos pelas gerações anteriores e aquilo que os jovens pretendem construir para o futuro.
Educação é apontada como instrumento contra o racismo
Outro tema abordado é o papel da educação no enfrentamento ao racismo e à intolerância contra tradições de matriz africana.
Na avaliação apresentada por Maria Helena, crianças e adolescentes precisam ter contato com diferentes histórias, origens e formas de compreender o mundo. Para a educadora, esse processo pode contribuir para uma convivência baseada no respeito às diferenças.
A discussão também chama atenção para a presença dos conhecimentos de matriz africana no ensino formal. A legislação brasileira determina, desde a Lei 10.639/2003, a inclusão da história e da cultura afro-brasileira no currículo oficial das redes de ensino fundamental e médio.
O podcast Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios é realizado pelo Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), por meio do Termo de Fomento nº 973281 do Ministério da Igualdade Racial, com correalização do Brasil de Fato RS.
A série aborda assuntos como visão de mundo africana, saúde pública, ervas medicinais, economia solidária, cooperativismo negro, cultura ancestral e educação de matriz africana.
Os episódios são exibidos às quintas-feiras, às 19h, nos canais da TV Josimo, Brasil de Fato RS e Brasil de Fato no YouTube e no Vida no Sul. O programa também é transmitido às sextas-feiras, às 11h, pela TV Mais.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



