Banner na cor vermelha com a logo do Ceilândia em Alerta centralizada na cor branca.

Mulheres ampliam presença na Câmara, mas ainda ocupam apenas 21,2% das cadeiras

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão, com parlamentares reunidos próximos à Mesa Diretora.
A nova Câmara seguirá dominada por homens brancos, que ocuparão 301 cadeiras, ou 58,7% do total | Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Mulheres na Câmara dos Deputados passarão de 91 para 109 na próxima legislatura; levantamento aponta que 47 das eleitas pertencem a partidos de esquerda e centro-esquerda.

Ceilândia em Alerta – A representação de mulheres na Câmara dos Deputados aumentará na legislatura que começa em 2027. Nas eleições de domingo (4), foram eleitas 109 deputadas federais, contra 91 em 2022. Com o resultado, elas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras da Casa, enquanto na atual legislatura representam 17,7%.

Apesar do crescimento, a participação feminina continua distante da composição da população brasileira, na qual as mulheres são maioria. A próxima Câmara também continuará tendo predominância de homens brancos, que ocuparão 301 cadeiras, equivalentes a 58,7% do total.

Segundo levantamento citado pelo Brasil de Fato, 47 das 109 deputadas eleitas pertencem a partidos classificados como de esquerda ou centro-esquerda. Nesse grupo, 20 são mulheres negras e duas são indígenas.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, elegeu 34 mulheres. Considerando apenas o PT, foram 25 deputadas entre os 70 parlamentares eleitos pelo partido, o equivalente a 35,7% da bancada.

O PL, que terá a maior bancada partidária da Câmara, com 121 deputados, elegeu 22 mulheres, correspondentes a 18,2% de seus parlamentares.

Mulheres na Câmara dos Deputados chegam a 109

A eleição também registrou votações expressivas entre candidatas de diferentes estados. Em São Paulo, Erika Hilton (Psol) recebeu 1.596.472 votos e tornou-se a mulher com maior votação da história para a Câmara dos Deputados.

Sâmia Bomfim (Psol) recebeu 583.107 votos e Tabata Amaral (PSB), 476.383. As três ficaram entre os cinco candidatos a deputado federal mais votados no estado.

No Rio Grande do Norte, Natália Bonavides (PT) recebeu 215.509 votos e liderou a votação para a Câmara. Em Mato Grosso do Sul, Camila Jara (PT) também terminou como a candidatura mais votada para deputada federal em seu estado.

O aumento da presença feminina ocorreu também no Senado. Foram eleitas 12 mulheres em 2026, número recorde para uma única eleição. A partir de 2027, porém, elas ocuparão apenas 18 das 81 cadeiras da Casa.

Os resultados mostram que o aumento do número de candidatas eleitas não ocorreu apenas em partidos de um mesmo campo político. Mulheres de diferentes legendas e orientações políticas conquistaram mandatos nas eleições de 2026.

Representatividade cresce, mas desigualdade permanece

A participação das mulheres na política brasileira aumentou nas últimas eleições, mas permanece proporcionalmente inferior à presença feminina na sociedade.

Além da quantidade de candidaturas, o financiamento das campanhas é um dos aspectos envolvidos nesse debate. Levantamento do Monitor 72 Horas citado pela reportagem, elaborado a partir das prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou diferenças na distribuição dos recursos eleitorais entre homens e mulheres nos partidos analisados.

De acordo com os dados disponíveis até 5 de outubro, o PL destinou 26,4% dos recursos declarados do Fundo Eleitoral às candidaturas femininas. No PT, a participação chegou a 38,8%, enquanto no Psol foi de 55,7%. Como as prestações de contas ainda podem ser atualizadas, esses percentuais não são necessariamente definitivos.

Especialistas e parlamentares ouvidas pelo Brasil de Fato relacionam a menor participação feminina a fatores como acesso desigual a financiamento, estrutura partidária, responsabilidades de cuidado e violência política. Essas avaliações representam as análises das entrevistadas pela reportagem.

Também existem diferenças políticas entre as próprias mulheres eleitas. Parlamentares conservadoras e progressistas defendem posições distintas em temas como direitos reprodutivos, segurança pública, políticas familiares, igualdade de gênero e direitos da população LGBTQIA+.

A ampliação de 91 para 109 deputadas representa um crescimento da presença de mulheres na Câmara dos Deputados, mas elas continuarão ocupando pouco mais de uma em cada cinco cadeiras a partir de 2027.


🔍 Fonte: Brasil de Fato.

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias