Banner na cor vermelha com a logo do Ceilândia em Alerta centralizada na cor branca.

Rússia e Irã acusam França de “duplo padrão” diante de protestos estudantis

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, durante coletiva de imprensa.
Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, durante briefing | Crédito: Ministério das Relações Exteriores da Rússia

Protestos estudantis na França provocam críticas de Moscou e Teerã à atuação policial; governo francês defende sua resposta, mas investiga episódios envolvendo o uso da força.

Ceilândia em Alerta – Os governos da Rússia e do Irã criticaram nesta semana a atuação das autoridades francesas durante os protestos estudantis na França e acusaram Paris de adotar critérios diferentes ao avaliar manifestações dentro e fora do país. As declarações ocorrem em meio a uma onda de mobilizações de estudantes secundaristas e universitários que reivindicam melhorias no sistema público de educação.

Na terça-feira (6), mais de 250 mil pessoas participaram de manifestações em diferentes regiões francesas. Os atos reúnem estudantes, professores, familiares e sindicatos e incluem reivindicações por mais professores, melhoria da infraestrutura escolar, redução das desigualdades entre instituições e aumento dos investimentos públicos na educação.

As mobilizações também registraram confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Houve detenções, uso de gás lacrimogêneo e denúncias de violência policial. Alguns protestos tiveram episódios de vandalismo, incêndios e ataques contra prédios escolares e agentes de segurança.

A repercussão internacional aumentou depois que representantes dos governos russo e iraniano passaram a comparar a resposta francesa aos protestos com declarações anteriores de Paris sobre manifestações ocorridas em outros países.

Rússia critica atuação policial nos protestos estudantis na França

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou o governo francês de adotar um “duplo padrão” na defesa do direito à manifestação.

Zakharova afirmou que autoridades francesas costumam criticar a atuação de governos estrangeiros durante protestos, mas, segundo ela, não aplicariam os mesmos critérios diante das ações de suas próprias forças de segurança.

A representante russa também criticou o que classificou como silêncio de autoridades europeias diante das denúncias envolvendo a polícia francesa e questionou a posição da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.

As declarações representam a posição oficial apresentada pelo governo russo. A caracterização da atuação francesa como “duplo padrão” ou “hipocrisia”, portanto, é uma avaliação política de Moscou, e não uma conclusão independente sobre os acontecimentos.

As manifestações francesas já resultaram em milhares de detenções desde setembro, muitas delas envolvendo menores de idade. Também existem registros de estudantes, profissionais da educação e integrantes das forças de segurança feridos durante os confrontos.

Um dos casos de maior repercussão ocorreu na cidade de Lens, onde um adolescente de 15 anos sofreu grave ferimento na mão durante um confronto. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, suspendeu temporariamente o uso de granadas de efeito nas operações relacionadas ao movimento estudantil enquanto o episódio é investigado.

As autoridades francesas abriram investigações internas sobre diferentes ocorrências envolvendo a atuação policial.

Irã também acusa governo francês de adotar critérios diferentes

O governo do Irã também entrou na discussão. Teerã convocou o embaixador francês no país para apresentar questionamentos sobre a atuação das forças de segurança durante as manifestações.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, comparou a resposta francesa aos protestos atuais com as declarações feitas por Paris durante manifestações ocorridas no Irã em janeiro.

Segundo Baqaei, naquela ocasião autoridades francesas defenderam o direito de manifestação e pediram moderação às forças de segurança iranianas. Agora, na avaliação do governo de Teerã, Paris estaria adotando uma postura diferente diante das manifestações realizadas em seu próprio território.

O representante iraniano também afirmou que atos de violência contra policiais, incêndios e destruição de patrimônio não devem ser justificados e reconheceu que o Estado possui responsabilidade pela manutenção da ordem pública. A crítica apresentada pelo Irã se concentra na alegação de que os critérios utilizados pela França mudariam conforme o país onde os protestos ocorrem.

O governo francês, por sua vez, contesta acusações de repressão generalizada. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu que as reivindicações dos estudantes precisam ser ouvidas, ao mesmo tempo em que condenou episódios de violência e vandalismo.

A França também reagiu às críticas iranianas e acusou Teerã de divulgar informações falsas sobre os protestos. O embaixador iraniano em Paris foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores francês nesta quarta-feira (7).

As manifestações continuam mobilizando estudantes em várias cidades. Organizações estudantis e sindicatos convocaram novos atos para quinta-feira (8), mantendo no centro do debate reivindicações relacionadas ao financiamento da educação, contratação de professores, infraestrutura das escolas e desigualdades no sistema de ensino francês.


🔍 Fontes: Brasil de Fato; Reuters.

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias